Terreiro histórico de Curitiba pode ser removido: entenda o caso
Com mais de 40 anos de história, o Terreiro Pai Tomé e Mãe Rosária tem sido alvo de uma batalha judicial
O Terreiro Pai Tomé e Mãe Rosária, fundado em 1982 no bairro Abranches, em Curitiba, e cujo espaço representa um ponto de fé, tradição e resistência, pode ter sua história encerrada devido a uma batalha judicial com a Prefeitura de Curitiba. A situação se arrasta desde 2005, e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias.
O local foi inaugurado por Feliciano Rodrigues e Tereza Rosa de Oliveira para cultivar saberes, ancestralidade e práticas religiosas de matriz africana. Sendo lar e templo para as quatro gerações de uma família, o ambiente se estabeleceu muito tempo antes da criação da área de preservação ambiental que foi delimitada no local.
Há duas décadas, a Prefeitura de Curitiba tenta retirar o terreiro da região. Em 2010, esse objetivo quase foi alcançado por meio de decisão judicial, mas o caso foi levado à Justiça Federal e, desde então, sua resolução definitiva segue pendente. Inclusive, existe uma avaliação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural para transformar o lugar em bem cultural, por meio de um tombamento. Inclusive, se aprovado, esse procedimento pode ser decisivo para definir o futuro do Terreiro.
A próxima reunião para discutir a situação acontece nesta quinta-feira (24). A tentativa de remoção por parte da Prefeitura vem sendo denunciada por diversas lideranças religiosas, pesquisadores e pelos movimentos negros, como um clássico caso não só de racismo religioso, mas ambiental.
Existe uma forte atuação de iniciativas como o OJUS (Rede de Enfrentamento ao Racismo Religioso) e do Coletivo Lugares de Axé para garantir que não ocorra o apagamento de toda uma trajetória que sempre respeitou a história, a diversidade religiosa e a proteção da cultura afro-brasileira. Não é apenas remover uma construção, mas sim, romper com raízes vivas, e cuja manutenção preserva a memória e o direito à fé.
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