AGU pede investigação sobre ataque de governo Trump ao Supremo e interferência dos EUA em eleições do Brasil
A Advocacia-geral da União pediu, nesta quinta-feira (01), à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, a abertura de investigação sobre a tentativa do governo Trump de interferir nas eleições brasileiras e atacar o Supremo Tribunal Federal (STF). A denúncia toma como base reportagem do jornal britânico The Guardian, segundo a qual, o governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão – cerca de R$ 5,1 milhões – para promover uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
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Na denúncia, a AGU requer que seja apurado o eventual financiamento estrangeiro de ações contra instituições brasileiras.
“Um aporte de US$ 1 milhão, intitulado Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil, financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que o projeto chama de excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte do Brasil”, diz a reportagem, segundo a qual os recursos foram alocados pelo Congresso para o Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF).
O The Guardian teve acesso a fontes e documentos do Departamento de Estado dos EUA, controlado pelo secretário Marco Rúbio, que detalham o destino de US$ 176,9 milhões – cerca de R$ 918 milhões – para 43 projetos com objetivo de promover a agenda do governo Trump em diversos países.
“Houve pressão direta de membros do governo Trump por essas verbas, refletindo interesses que incluem os alertas de James David Vance (JD Vance) [vice-presidente dos EUA] sobre o colapso dos valores ocidentais tradicionais na Europa e a campanha de Stephen Miller [assessor da Casa Branca] contra a imigração e em apoio a minorias brancas em países como a África do Sul”, escreveram os jornalistas Andrew Roth e Joseph Gedeon.
A publicação lembrou que o governo Trump impôs sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes “após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente”. Durante o julgamento por tentativa de golpe que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, o STF virou alvo de Trump.
Washington também tem criticado as restrições impostas pelo Supremo a plataforma digitais com objetivo de inibir crimes praticados no ambiente digital e pressionado países a não adotarem qualquer regra em relação as bigtechs.
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