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Trump direcionou US$ 1 milhão para campanha contra atuação do STF, revela Guardian

O governo de Donald Trump direcionou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,3 milhões, para financiar organizações contrárias à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil, segundo reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian.

O recurso integra uma mudança na aplicação de verbas do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado, que passou a financiar iniciativas alinhadas às prioridades políticas da atual administração norte-americana.

Batizado de “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, o programa prevê apoio a grupos da sociedade civil que questionam decisões da Suprema Corte brasileira sob argumentos relacionados à liberdade de expressão e ao alcance do Poder Judiciário.

A iniciativa aparece entre diferentes repasses internacionais promovidos pelo governo Trump, que redirecionou mais de US$ 175 milhões do fundo para novos projetos ao redor do mundo.

A destinação ocorre após uma série de atritos entre Washington e Brasília envolvendo o STF e, especialmente, o ministro Alexandre de Moraes. Em 2025, o governo norte-americano aplicou sanções contra o magistrado durante as tensões provocadas pelo julgamento de Jair Bolsonaro, medida defendida por aliados do ex-presidente brasileiro nos Estados Unidos.

Parte dos repasses chegou a ser bloqueada no Congresso norte-americano, segundo o Guardian, incluindo dez iniciativas que somavam aproximadamente US$ 22 milhões e envolviam Brasil, África do Sul, Nigéria e países europeus. O secretário de Estado, Marco Rubio, teria autorizado a liberação de verbas apesar das restrições impostas no Legislativo.

A senadora democrata Jeanne Shaheen também questionou medidas da administração Trump relacionadas ao Brasil e cobrou garantias de respeito ao processo eleitoral brasileiro. Parlamentares democratas têm acusado Washington de utilizar instrumentos diplomáticos, econômicos e políticos para interferir no cenário brasileiro, interpretação contestada pela administração republicana.

O maior repasse identificado na reorganização do fundo chega a US$ 40 milhões e beneficia um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation, entidade anticomunista sediada nos Estados Unidos. Documentos analisados pelo jornal mostram que a organização havia recebido valores muito menores do Departamento de Estado nos anos anteriores.

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