R$ 7,37: o “salário” por hora que Flávio Bolsonaro propõe para os trabalhadores brasileiros não compra um quilo de feijão
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar, nesta terça-feira (06), a proposta que acaba com a escala 6×1 e garante dois dias de descanso por semana, sem redução de salário. Em Brasília, após reunião com aliados, o candidato do PL à Presidência acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de explorar eleitoralmente a pauta e insistiu em substituir a conquista pelo modelo de pagamento por hora trabalhada, o que resultaria em menos dinheiro na conta do trabalhador ao final do mês.
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Considerando o valor atual do salário mínimo, de R$ 1.621,00, caso aprovada a proposta de Flávio Bolsonaro, o valor da hora trabalhada que os brasileiros receberiam por esse modelo é de R$ 7,37.
Uma família brasileira de quatro pessoas consome, em média, em torno de 4 kg a 6 kg de feijão por mês. O gasto mensal seria de R$ 47,50. Para conseguir comprar essa quantidade de alimento pela hora trabalhada de Flávio Bolsonaro, o empregado teria que trabalhar 6 horas e 26 minutos. Ou seja, quase um dia inteiro de trabalho.
A título de comparação, o preço médio do quilo de feijão preto nas gôndolas de supermercados hoje é de cerca de de R$ 9,00 a R$ 9,50/kg. Por esse valor, o empregado teria que trabalhar pelo menos 1 hora e 17 minutos para comprar um simples quilo desse alimento.
PEC 7 X 0
Flávio Bolsonaro vem atuando diretamente para negar aos brasileiros um dia a mais de descanso e barrar a conquista no Senado, ao lado de seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), autor da chamada “PEC 7×0”. O próprio candidato está entre os signatários do texto.
Em setembro, Marinho também apresentou emendas, destaques e pedido de vista durante a análise da proposta que encerra a jornada de seis dias de trabalho para um de folga. As manobras não impediram a aprovação do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas expuseram a resistência do grupo de Flávio Bolsonaro a uma mudança que amplia o tempo dos trabalhadores para descansar e conviver com a família.
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