Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, afirmou que R$ 250 mil de um suposto esquema de devolução de salários teriam sido guardados em um cofre no antigo gabinete de Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, em Brasília. O ex-aliado disse ao ICL Notícias que parte do montante teria sido retirada antes da campanha de 2018 para ajudar na compra de um apartamento no Rio de Janeiro.
Segundo Junqueira, dois funcionários recebiam o salário integral, mas devolviam metade da remuneração, prática popularmente chamada de rachadinha. Ele atribuiu as informações a uma conversa de novembro de 2018 com Gil Diniz e Sonaira Fernandes, então ligados ao grupo político de Eduardo.
O relato indica que os recursos teriam sido controlados pelo assessor Eric de Castro Roma, também agente administrativo da Polícia Federal, que não foi localizado pela reportagem. Junqueira declarou ainda que recebeu de Eduardo R$ 3 mil em espécie para entregar a Gil Diniz, que supostamente continuaria recebendo valores mesmo após deixar o gabinete federal.
A denúncia veio a público inicialmente em uma entrevista concedida em outubro de 2025 ao projeto documental “Quem matou a política?”, lançado nesta terça-feira (4) pela Audible em parceria com a Rádio Escafandro e a Rádio Guarda-Chuva. Novos detalhes foram apresentados por Junqueira em junho ao núcleo de investigação do ICL Notícias.
Registros de imóveis revelados anteriormente pelo jornal O Globo mostram que Eduardo utilizou R$ 150 mil em espécie na aquisição de dois apartamentos no Rio. Foram R$ 100 mil na compra de uma unidade em Botafogo, em 2016, e R$ 50 mil na negociação de outro imóvel em Copacabana, em 2011.
Eduardo reconheceu em 2022 ter pago parte do apartamento de Copacabana com dinheiro vivo, mas afirmou que a operação era compatível com sua renda. Procurados, Eduardo Bolsonaro e Sonaira Fernandes não responderam, enquanto Gil Diniz negou conhecer o suposto cofre e não esclareceu a alegada entrega de valores.
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