Suspeito de chefiar esquema milionário no INSS se entrega à PF
O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, apresentou-se à Polícia Federal na noite de quarta-feira (12), após ser considerado foragido. Ele é investigado por supostamente comandar um esquema de descontos irregulares em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lopes teve a prisão preventiva determinada em novembro de 2025 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi adotada com base nas investigações que apontam o dirigente como uma das principais lideranças do grupo suspeito de desviar recursos de aposentados e pensionistas.
Segundo a Polícia Federal, o presidente da Conafer controlava a movimentação do dinheiro obtido com as cobranças e definia como os valores seriam distribuídos. Os investigadores também atribuem a ele a orientação das fraudes e a articulação política usada para manter o esquema em funcionamento.
Uma das práticas apuradas envolvia visitas às casas de beneficiários. Pessoas contratadas pela organização teriam convencido idosos a assinar documentos apresentados como formulários de atualização cadastral. Posteriormente, esses papéis seriam transformados em autorizações falsas de filiação associativa, permitindo a inclusão de mensalidades nos pagamentos do INSS.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (13), a Conafer afirmou que Lopes compareceu espontaneamente às autoridades. A entidade sustentou que a apresentação não significa admissão de culpa e informou que a defesa pretende entregar documentos e outros elementos para contestar as acusações.
Carlos Lopes está entre os 48 indiciados no primeiro relatório da PF sobre as suspeitas ligadas à confederação, concluído em julho. André Mendonça apontou, ao decretar a prisão, que o investigado ocuparia uma posição central na estrutura apurada.
Também foram indiciados o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Os dois negam participação em irregularidades.
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