128 dias e R$ 548 mil: os números por trás das viagens de Toffoli
Uma análise de registros oficiais de pagamento de diárias revela um padrão recorrente de deslocamentos de equipes de segurança para Ribeirão Claro, no norte do Paraná, cidade onde está localizado o resort Tayayá, frequentemente associado ao ministro Dias Toffoli. Entre 2022 e 2025, foram contabilizados 128 dias de viagens em períodos de feriados, fins de semana prolongados e recessos do Judiciário, com custos arcados pelos cofres públicos.
Os dados constam em registros do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, responsável pelo envio das equipes de escolta a pedido do Supremo Tribunal Federal. Embora as planilhas não identifiquem nominalmente o ministro atendido em cada ocasião, a descrição das diárias indica apoio de segurança e transporte a autoridade da Corte em Ribeirão Claro.
A maior parte dessas viagens coincidiu com períodos de recesso, além de finais de semana e feriados nacionais como Carnaval e Corpus Christi. Somadas, as diárias consumiram cerca de R$ 548,9 mil.
O Tayayá, um empreendimento de alto padrão às margens de uma represa, tornou-se centro de atenção em meio à crise envolvendo o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central no fim de 2025. Toffoli é relator de processos relacionados ao caso, que envolve o controlador da instituição e conexões empresariais com antigos sócios do resort.
Reportagens da imprensa nacional indicaram que, antes da mudança no controle do empreendimento, fundos ligados a pessoas investigadas adquiriram participação pertencente a familiares do ministro.
Mesmo após a venda do Tayayá, em 2025, para um advogado com atuação junto à J&F, Toffoli continuou a frequentar o local, acompanhado de parentes. Funcionários do resort relatam que a presença do ministro segue constante, reforçando a associação do empreendimento ao seu nome na região.
Além das viagens, decisões adotadas por Toffoli na condução das investigações do Banco Master geraram desconforto interno no STF, levando integrantes da Corte a discutir alternativas para reduzir o desgaste institucional, incluindo eventual impedimento do ministro ou mudança de competência do caso. Até o momento, nem Toffoli nem os órgãos citados se manifestaram oficialmente sobre os pontos levantados.
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