O engenheiro de software e blogueiro estadunidense Curtis Yarvin, voz influente entre magnatas do Vale do Silício e no círculo do vice-presidente J.D. Vance, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) era “pequeno demais para o papel que a história o concedeu”. Em entrevista, Yarvin comentou a prisão de Bolsonaro após tentar romper a tornozeleira eletrônica com ferro de solda no mês passado.
“É também uma tragédia, num certo sentido, porque Bolsonaro me parece ser uma pessoa bem-intencionada. Ele era apenas pequeno demais para o papel”, disse Yarvin, que é ouvido por figuras como Peter Thiel, fundador da Palantir, e pelo próprio vice-presidente dos EUA.
Para Yarvin, políticos populistas como Bolsonaro têm dificuldade de “viver na realidade”. “Isso é muito difícil de fazer quando você está em contato com a mentalidade popular e tentando seguir o que as pessoas pensam”, avaliou.
O blogueiro também minimizou eventos como a invasão do Capitólio em 2021 e o 8 de Janeiro de 2023, classificando-os como “larp” – gíria da Geração Z para “interpretação de papéis”. “Essas pessoas estavam brincando de Revolução Francesa ou brincando de ‘Tea Party’. De repente, você está num edifício governamental vazio, se perguntando o que fazer em seguida. E aí você percebe que na verdade não tem como fazer nada”, afirmou.
Yarvin tornou-se conhecido escrevendo sob o pseudônimo Mencius Moldbug e é apontado como o primeiro a usar o termo “red pill” como metáfora política – posteriormente apropriado por comunidades misóginas online. Suas ideias, que mesclam tecnocracia, autoritarismo e crítica à democracia liberal, ganharam espaço em setores da direita intelectual e tecnológica dos EUA.
As declarações refletem a visão de parte da nova (extrema) direita global que, mesmo simpática a lideranças anti-sistema, as enxerga como insuficientemente competentes ou estratégicas para realizar mudanças estruturais.
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