O Ministério Público do Trabalho de Bauru (interior de SP) investiga suspeitas de contratação irregular de trabalhadores vítimas de um acidente de ônibus na BR-153 (Rodovia Transbrasiliana), próximo a Marília, no último dia 16, que deixou sete mortos e dezenas de feridos. De acordo com as informações da Polícia Civil, os trabalhadores vinham do Maranhão e estavam sendo transportados em uma viagem fretada para atuarem na colheita da maçã em Santa Catarina.
Os indícios apontariam para a possibilidade de que eles fossem alvo de um esquema de contratação para trabalho em condições análogas à escravidão.
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Segundo as apurações preliminares, os trabalhadores não sabiam sequer para qual cidade catarinense estavam sendo transportadas, nem qual a empresa seria responsável pelas contratações. O veículo não tinha cintos de segurança e viajava com um pneu a menos em um dos eixos. O ônibus tombou após outro pneu estourar. O motorista foi preso.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ônibus não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para atender a fretamentos interestaduais.
O MPT de Bauru confirmou à reportagem do Brasil Fora da Caverna ter requisitado à Polícia Civil, à PRF e à Defesa Civil, documentos e informações sobre o caso para verificar a quem cabe a competência da investigação, e a partir daí, levantar os possíveis responsáveis pela contratação desses trabalhadores e eventuais irregularidades.
Fontes do MPT afirmaram ao BFC que, muitas vezes, as investigações são dificultadas pela resistência das vítimas desse tipo de contratação irregular em fornecer informações sobre o caso por temerem represálias.
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