Uma nova frente de investigação sobre operações de crédito consignado ligadas ao Banco Master colocou sob suspeita um produto pouco conhecido até então pelas áreas de controle do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A autarquia identificou indícios de irregularidades em contratos do chamado M Fácil Consignado, modalidade oferecida a aposentados e pensionistas e que, segundo análises preliminares, apresenta inconsistências graves na formalização das operações.
A descoberta ocorreu após o INSS iniciar uma revisão detalhada de contratos relacionados a benefícios consignados. Durante a análise, técnicos encontraram documentos com problemas como repetição de nomes em um mesmo contrato, ausência de informações claras sobre taxas de juros e falta de assinaturas válidas que comprovassem a autorização do beneficiário. Esses elementos levantaram suspeitas de possíveis fraudes na concessão do crédito.
De acordo com a direção do instituto, o M Fácil apresenta características semelhantes ao Credcesta, produto criado em 2018 e posteriormente incorporado ao Banco Master. Inicialmente direcionado a servidores públicos estaduais e municipais, o modelo acabou sendo expandido para aposentados e pensionistas do INSS.
Trata-se de um cartão vinculado ao benefício previdenciário, cuja estrutura contratual tem sido considerada irregular por órgãos de controle.
O INSS afirma que os contratos analisados não permitem confirmar se a assinatura eletrônica atribuída aos beneficiários é autêntica, nem deixam claros os encargos financeiros envolvidos. A falta de transparência também dificulta verificar se houve cobrança de juros abusivos ou aplicação de encargos sucessivos.
A investigação é conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), e os indícios coletados já foram encaminhados a outras instâncias de fiscalização. Diante da gravidade das inconsistências identificadas, os casos podem ser encaminhados à esfera criminal.
O Banco Master afirma que sempre seguiu as regras estabelecidas para operações consignadas e sustenta que os contratos respeitaram os procedimentos exigidos pelo INSS. O Banco Central, responsável pela liquidação da instituição decretada no fim do ano passado, não comentou o caso.
As suspeitas surgem em meio às investigações da Polícia Federal que envolvem o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, preso novamente nesta semana durante nova etapa da Operação Compliance Zero. A apuração aponta a existência de um grupo ligado ao empresário acusado de intimidar adversários e monitorar desafetos.
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