Uma série de relatos e documentos aponta que trabalhadores vinculados a uma empresa contratada pela Prefeitura de São Paulo podem ter sido mobilizados para atuar na campanha de reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), em 2024. O episódio desencadeou uma crise na área de turismo da administração municipal e resultou na saída de dois dirigentes ligados ao setor.
De acordo com os registros reunidos por Demétrio Vecchioli, para sua coluna no portal Metrópoles, profissionais que prestavam serviços como guias turísticos por meio da agência MM Quarter teriam sido convidados a participar de atividades de divulgação eleitoral.
A convocação teria ocorrido principalmente em grupos de mensagens usados para organizar equipes ligadas aos contratos da empresa com a São Paulo Turismo (SPTuris), responsável por eventos e ações de promoção da cidade.
Nos comunicados compartilhados nesses grupos, os trabalhadores eram informados sobre vagas para atuar em tendas de divulgação política durante o período que antecedeu o primeiro turno das eleições. O pagamento previsto seria de R$ 250 por dia de trabalho. Alguns participantes relataram que receberam os valores por transferências instantâneas, sem emissão de nota fiscal ou registro formal do serviço.
Planilhas e formulários utilizados no recrutamento também faziam referência direta à campanha do prefeito. Segundo depoimentos colhidos pela reportagem, após uma reunião inicial em um auditório no centro da capital paulista, equipes foram distribuídas em diferentes bairros para abordar eleitores e divulgar propostas da candidatura.
Durante o mesmo período, a Quarter mantinha contratos expressivos com órgãos da prefeitura. Um deles, firmado com a SPTuris no segundo turno das eleições, previa serviços de terceirização avaliados em R$ 67 milhões. Somados a outros acordos com a Secretaria Municipal de Turismo, os contratos vigentes da empresa ultrapassam R$ 200 milhões.
A divulgação das informações levou a Controladoria Geral do Município a abrir uma apuração administrativa. A investigação identificou documentos que concediam poderes amplos de gestão da empresa a Rodolfo Marinho, então secretário-adjunto de Turismo. Após o caso vir a público, ele foi exonerado. O presidente da SPTuris, Gustavo Pires, também deixou o cargo.
A empresa afirma que não participou da campanha eleitoral. Já o diretório municipal do MDB sustenta que todas as contratações da campanha foram feitas por meio de uma cooperativa e que as contas eleitorais foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. A prefeitura informou que seguirá investigando o caso.
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