A predominância masculina no comando dos partidos políticos brasileiros continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar a participação das mulheres na política. Levantamento elaborado pelo portal UOL, a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que 79% dos cerca de 29 mil dirigentes partidários que ocupam cargos de presidência são homens.
Entre as 31 siglas registradas no país, apenas a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) mantém equilíbrio entre homens e mulheres nesses postos de liderança.
A concentração de homens nas estruturas de comando das legendas tem reflexos diretos sobre as eleições. Embora as mulheres representem 51,5% da população brasileira, elas ocupam somente 17% das cadeiras do Legislativo Federal, indicando que a presença feminina nas urnas ainda não se traduz em representação proporcional nos espaços de poder.
A cientista política Malu Gatto avalia que a legislação de cotas para candidaturas femininas, sozinha, não é suficiente para reduzir essa desigualdade. Segundo declarações da pesquisadora ao UOL, o maior entrave está na forma como os partidos distribuem recursos financeiros, apoio político, orientação estratégica e visibilidade durante as campanhas, fatores que acabam favorecendo candidatos homens e dificultando a competitividade das mulheres.
Outros estudos também apontam que o sistema eleitoral de lista aberta, utilizado no Brasil, contribui para esse cenário. Nesse modelo, cada candidato disputa votos individualmente, beneficiando quem já possui maior capital político e redes de apoio, realidade historicamente mais comum entre os homens. Em contraste, o sistema de lista fechada permitiria aos partidos organizar previamente a ordem dos candidatos, criando mecanismos para ampliar a presença feminina entre os eleitos.
Apesar desse debate, pesquisas mostram que a maior parte dos parlamentares prefere manter o atual modelo eleitoral. Na avaliação de Malu Gatto, uma mudança para a lista fechada enfrenta baixa possibilidade de aprovação no Congresso.
Para a pesquisadora, o caminho mais viável é fortalecer a aplicação das cotas já existentes e ampliar políticas de paridade nas eleições municipais, consideradas fundamentais para formar novas lideranças. Ela destaca que cerca de 700 municípios brasileiros ainda não possuem nenhuma mulher eleita para a Câmara de Vereadores, evidenciando a necessidade de incentivar a participação feminina desde a política local.
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