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Nem todo eleitor de Lula é de esquerda, e nem todo eleitor de Flávio é de direita, mostra pesquisa Datafolha

(Foto: Reprodução)

Uma nova pesquisa Datafolha aponta que parte significativa dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), cotado para disputar a Presidência em 2026, possui posicionamentos ideológicos diferentes daqueles tradicionalmente associados aos dois campos políticos. O levantamento, divulgado na terça-feira (7), indica que o comportamento do eleitorado brasileiro é mais complexo do que a tradicional divisão entre direita e esquerda.

Segundo o estudo, 24% dos entrevistados que afirmam votar em Lula foram classificados como integrantes da direita ou da centro-direita. Do outro lado, 19% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro aparecem posicionados na esquerda ou centro-esquerda. A classificação foi elaborada pelo instituto com base em respostas sobre valores sociais e visão econômica, e não pela forma como cada entrevistado se define politicamente.

A pesquisa também mostra que a direita e a centro-direita voltaram a reunir a maior parcela dos brasileiros. Juntas, essas correntes representam 44% dos entrevistados, enquanto esquerda e centro-esquerda somam 39%. O restante foi enquadrado no centro do espectro político.

Entre os eleitores de Lula, seis em cada dez foram classificados na esquerda ou centro-esquerda, enquanto quase um quarto aparece em posições mais conservadoras. Já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, aproximadamente dois terços se concentram na direita e centro-direita, embora uma parcela relevante esteja situada em campos ideológicos opostos.

O levantamento ainda identificou divergências entre o perfil dos eleitores e as pautas defendidas pelos pré-candidatos. Mais de um terço dos apoiadores de Flávio Bolsonaro afirmou ser favorável à proibição da posse de armas, posição que contrasta com uma das principais bandeiras do grupo bolsonarista.

Entre os eleitores de Lula, pouco mais de um quarto avalia que a legislação trabalhista impõe obstáculos ao crescimento das empresas, entendimento diferente do discurso adotado pelo governo federal em defesa da ampliação da proteção aos trabalhadores.

Apesar das diferenças, o estudo encontrou convergências importantes entre os dois eleitorados. A maioria dos entrevistados de ambos os grupos defende punições mais rígidas para adolescentes que praticam crimes e considera que o governo deve apoiar grandes empresas nacionais em situações de crise financeira. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho, e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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