A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil pertencentes a Ana Cristina Valle, ex-esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após o descumprimento de uma decisão que exigia a devolução de recursos do Fundo Eleitoral utilizados em sua campanha nas eleições de 2022. A medida foi adotada depois que o prazo para restituição do valor expirou sem que houvesse o pagamento.
Caso o montante não seja localizado em contas bancárias, a cobrança poderá ser estendida a bens registrados em nome da ex-candidata, incluindo veículos e imóveis. A informação foi divulgada na sexta-feira (10) pelo jornalista Daniel Gullino, da revista Veja.
Ana Cristina disputou uma cadeira de deputada distrital pelo PP no Distrito Federal, mas recebeu 1.485 votos e não conseguiu se eleger. Posteriormente, suas contas de campanha foram rejeitadas por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), em decisão acompanhada pelo parecer do Ministério Público Eleitoral.
O relator do caso, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, apontou uma série de inconsistências na prestação de contas. Entre os problemas identificados estavam despesas com militância, mobilização de rua, alimentação, combustível, publicidade na internet, impulsionamento de conteúdo, aluguel de bens e contratação de prestadores de serviço sem documentação considerada suficiente para comprovar a regularidade dos gastos.
Segundo o magistrado, a ex-candidata não apresentou documentos nem esclarecimentos capazes de corrigir as falhas apontadas durante a análise do processo, o que, na avaliação da Corte, comprometeu a transparência na utilização de recursos públicos destinados à campanha eleitoral.
Ana Cristina Valle é mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), que já anunciou pré-candidatura à Câmara dos Deputados. Ela também já foi chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e teve o nome mencionado em investigações relacionadas ao caso das rachadinhas envolvendo gabinetes ligados à família Bolsonaro.
Dessa maneira, reportagem publicada em 2020 apontou que ela adquiriu 14 imóveis entre 1997 e 2008, período em que era casada com Jair Bolsonaro. Na época, sua defesa negou qualquer irregularidade e afirmou que as acusações não correspondiam aos fatos.
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