O governo federal intensificou as articulações para impedir uma nova paralisação de caminhoneiros diante da indefinição sobre a votação da Medida Provisória nº 1.343, conhecida como MP do Frete, no Senado Federal.
A mobilização ganhou força após integrantes da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva serem informados, na noite de domingo (12), sobre o risco de protestos da categoria caso a proposta não avance na pauta da Casa nesta semana.
Nos bastidores, a Advocacia-Geral da União (AGU) foi acionada para acompanhar possíveis desdobramentos jurídicos e institucionais caso a paralisação seja confirmada. Também receberam o alerta o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, que monitoram as negociações em busca de um entendimento capaz de evitar o agravamento da crise.
A expectativa dentro do Palácio do Planalto é de que, ainda nesta segunda-feira (13), haja espaço para um acordo político que permita a análise da medida provisória no Senado. A avaliação de integrantes do governo é que a aprovação do texto pode reduzir a tensão entre o Executivo e os representantes dos transportadores.
O movimento ganhou força depois que Wallace Landim, conhecido como Chorão e presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), convocou os caminhoneiros a suspenderem as viagens e concentrarem a mobilização nos portos até que haja definição sobre a tramitação da proposta. A estratégia busca pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para colocar a matéria em votação antes que ela perca a validade.
Editada em março, durante outra rodada de ameaças de greve, a MP do Frete altera regras para a formação do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas, reforça mecanismos de fiscalização e institui um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas contratados pelo regime da CLT. O texto também atualiza a metodologia de cálculo do frete, considerando despesas como combustível, manutenção e seguros.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em junho, mas chegou ao Senado acompanhada de uma emenda que prevê anistia a multas aplicadas a caminhoneiros e transportadores envolvidos nos bloqueios de rodovias registrados após as eleições presidenciais de 2022. Esse trecho foi decisivo para aumentar a pressão em relação ao Senado, de modo que ele defina rapidamente o futuro da MP.
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