Depois de censurar pesquisa Atlas/Intel que apontou queda vertiginosa das intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, conseguiu surpreender a todos negativamente com uma nova iniciativa absurda. Em reunião com representantes de institutos propôs a criação de um “selo de acurácia” para aqueles que acertarem os resultados das eleições de outubro.
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A proposta chocou especialistas no assunto por, segundo eles, demonstrar o total desconhecimento do magistrado sobre a natureza das pesquisas eleitorais e a ciência estatística. “Pesquisas não têm o objetivo de prever o resultado de uma eleição. Seu papel é retratar, por meio de métodos estatísticos reconhecidos, as intenções de voto existentes no momento em que são realizadas. Confundir pesquisa com previsão é um erro comum entre pessoas mal informadas sobre a ciência estatística. Não deveria ser uma premissa admitida na mais alta corte eleitoral do país”, disse ao Uol a diretora do Datafolha, Luciana Chong.
Na prática, segundo os institutos, a medida transformaria as pesquisas eleitorais em uma espécie de “jogo de apostas”. Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) apontou o total despropósito da ideia de Nunes Marques. “Pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem promessas de resultado. Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, afirmou a entidade.
Em maio, Nunes Marques acatou pedido da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, e mandou suspender a divulgação da pesquisa Atlas/Intel que apontava queda de 5 pontos percentuais nas intenções de voto dele para a presidência após a divulgação dos áudios em que ele pede dinheiro para o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. (A pesquisa foi realizada com 5.032 respondentes entre 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual. O levantamento foi encomendado pela agência Bloomberg e foi registrada no TSE sob o número BR-06939/2026).
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