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PF vê “cilada” em ordem de Mendonça que revelou conversas de Moraes e Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, convocou investigadores da Polícia Federal para uma reunião em seu gabinete, no último dia 24, sob a justificativa de tratar da Operação Compliance Zero, mas apresentou durante o encontro uma ordem para levantar mensagens de Daniel Vorcaro.

Integrantes da corporação ouvidos pelo UOL consideraram a abordagem uma cilada, porque a pauta inicialmente informada não mencionava Alexandre de Moraes nem suspeitas de vazamento no caso Banco Master.

Segundo a reportagem, Mendonça começou a conversa pelo assunto anunciado na convocação e, na sequência, entregou uma decisão sem data que determinava a elaboração de um relatório único. O documento deveria reunir interlocutores e diálogos que indicassem eventual acesso de Vorcaro a informações da investigação conduzida pela 10ª Vara Federal de Brasília.

A apuração resultou na primeira ordem de prisão contra o banqueiro, expedida em novembro de 2025. Parte das mensagens já constava em documentos divulgados pela PF e também havia embasado uma reportagem da jornalista Malu Gaspar, que apontou Moraes como possível contato de Vorcaro antes e no dia da prisão.

Mendonça não citou Moraes na decisão nem teria antecipado aos investigadores quem apareceria no levantamento. O relatório foi concluído e entregue três dias depois, com conversas que expuseram a proximidade entre o banqueiro e o magistrado.

A crise se agravou quando Moraes procurou Mendonça e o acusou de promover uma investigação contra ele, conforme o relato publicado. Mendonça atribuiu o conteúdo à PF, enquanto Moraes teria contestado essa versão e cobrado o envio do caso à Procuradoria-Geral da República e ao plenário do STF.

A direção da PF avaliou a determinação como possível abuso de autoridade, com risco de provocar nulidades no caso Master, segundo a colunista Natália Portinari. A PGR pediu a anulação da ordem, enquanto o gabinete de Mendonça sustenta que houve apenas supervisão judicial, sem diligências externas ou análise investigativa.

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