Dino aponta elo entre verba pública, caso Dark Horse e empresa ligada ao PCC
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou na quinta-feira (10) uma operação contra suspeitas de desvios no núcleo ligado ao filme Dark Horse, indica a possível existência de um esquema único envolvendo recursos municipais, emendas parlamentares federais e uma empresa anteriormente controlada por um suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A conexão levou o magistrado a manter reunidas as diferentes frentes da investigação conduzida pela Polícia Federal. A referência à facção aparece na análise das movimentações do Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, produtora associada à cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Para os investigadores, a entidade funcionava como principal captadora de dinheiro da rede apurada e repassava valores a empresas recorrentes nos relatórios financeiros. Uma das beneficiadas foi a Favela Conectada Serviço e Tecnologia, atualmente chamada Urban Connect, que recebeu R$ 7,87 milhões.
A companhia havia sido contratada pelo ICB para atuar no WiFi Livre SP, projeto de internet gratuita mantido pela Prefeitura de São Paulo.
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Alex Leandro Bispo dos Santos permaneceu como único sócio da empresa entre agosto de 2020 e janeiro de 2026, quando transferiu o negócio para a companheira. Informações de inteligência policial citadas na decisão apontam Alex como membro relevante do PCC, porém essa suspeita ainda não representa uma conclusão da Justiça.
A PF também identificou inconsistências em um contrato de R$ 12 milhões apresentado pela empresa para justificar o aumento do limite bancário de transferências. A documentação inicial não tinha data nem meios de verificação da autenticidade, enquanto a segunda versão não esclarecia como o preço havia sido calculado.
Após a solicitação, a companhia recebeu dois repasses do ICB, de R$ 611,1 mil e R$ 666,6 mil. Parte do dinheiro foi posteriormente enviada à Ultra IP Tecnologia e Serviços, outra empresa incluída na apuração.
A operação alcançou Karina Gama, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros investigados. A PF apura possíveis desvios, fraudes contratuais, falsificação documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
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