Ex-marqueteiro de Flávio transferiu R$ 1 milhão para produtora do filme “Dark Horse”
Amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ex-integrante de sua pré-campanha presidencial, o publicitário Marcello Lopes transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. O pagamento apareceu em relatórios do Coaf mencionados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, ao autorizar uma operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (10).
A investigação teve como alvos a empresária Karina Gama, dona da produtora, e o deputado federal Mário Frias (PL-SP). De acordo com a decisão, o órgão de inteligência financeira detectou movimentações consideradas fora do padrão nas contas da Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
Nesse intervalo, a empresa movimentou mais de R$ 19 milhões, sendo aproximadamente R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. Entre os principais remetentes estavam Moneycorp Banco de Câmbio, GO7 Assessoria, NTT Brasil, Mário Frias e o próprio Marcello Lopes.
Conhecido como Marcellão, o publicitário confirmou o repasse e afirmou que entrou no projeto como investidor em dezembro de 2025, após receber um convite de Frias. Segundo ele, cotas foram oferecidas para manter as filmagens em São Paulo depois da interrupção dos recursos anteriormente aportados pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
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O contrato apresentado por Lopes registra um investimento de US$ 185.185,19, quantia que correspondia a cerca de R$ 1 milhão naquele período. Embora o dinheiro tenha sido enviado em dezembro, o documento foi assinado com a Go Up somente em 4 de junho de 2026, quando o caso envolvendo o Banco Master já havia ganhado repercussão.
Marcellão atribuiu o intervalo a ajustes realizados nas cláusulas do acordo entre as partes. Ele deixou a equipe eleitoral de Flávio Bolsonaro após a divulgação dos contatos do senador com Vorcaro, mas permanece próximo do pré-candidato.
O publicitário mantém conversas frequentes com Flávio e participou recentemente de um jantar entre o senador e André Esteves, proprietário do BTG Pactual. Até o momento, não há indicação no material apresentado de que o repasse tenha sido considerado ilícito.
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