Dino derruba sigilo de investigação sobre recursos públicos usados no filme “Dark Horse”
O ministro Flávio Dino, do STF, retirou o sigilo da decisão que autorizou a Operação Make Up, da Polícia Federal, que investiga desvios e uso irregular de recursos públicos na produção do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que participou da produção e destinou R$ 1 milhão em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) para um projeto que, segundo a PF, não teria sido executado. Os investigadores apuram se verbas de interesse público foram direcionadas ao longa-metragem.
A apuração alcança a empresária Karina Ferreira da Gama, ligada à produtora Go Up Entertainment e a entidades envolvidas nos contratos. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram falhas na estrutura e na execução de organizações beneficiadas com verbas públicas.
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Outro eixo envolve contratos com a Prefeitura de São Paulo. A Polícia Civil investiga um contrato de R$ 108 milhões para fornecimento de Wi-Fi, no qual haveria uma discrepância de R$ 26 milhões entre os valores pagos ao ICB e os serviços prestados. A Justiça, contudo, solicitou provas adicionais além de matérias jornalísticas para autorizar acessos a dados financeiros.
A PF investiga ainda o financiamento privado do filme. O nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro é citado após relatos de que Flávio Bolsonaro teria solicitado verbas a ele para viabilizar o longa. A defesa sustenta que se tratava de recurso privado e nega irregularidades.
A retirada do sigilo garante transparência sobre as razões e os indícios apresentados pela Polícia Federal para fundamentar as buscas autorizadas por Dino.
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