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Lula anuncia canetas emagrecedoras no SUS, mas acesso terá regras

O governo federal estuda oferecer gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) canetas usadas no tratamento da obesidade, com prioridade inicial para pacientes com grau 3 da doença ou que apresentem complicações como diabetes e problemas cardiovasculares.

A proposta, analisada pelo Ministério da Saúde desde o fim de junho, ganhou destaque após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar a intenção na quinta-feira (17), durante visita a uma fábrica da Eurofarma em Montes Claros, Minas Gerais.

Apesar da manifestação presidencial, os medicamentos ainda não fazem parte da oferta regular da rede pública em todo o país. A incorporação dependerá da definição de critérios clínicos, da avaliação das evidências científicas e da análise dos custos que o tratamento poderá gerar para o sistema.

A estratégia discutida pela pasta não prevê a distribuição ampla e imediata das canetas emagrecedoras. O objetivo é atender pessoas com quadros graves e indicação médica, evitando o uso indiscriminado dos produtos apenas com finalidade estética ou sem o acompanhamento adequado de profissionais de saúde.

Antes de chegar aos pacientes, a proposta precisará ser examinada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, responsável por decidir quais medicamentos e procedimentos podem integrar a rede pública. O órgão deverá avaliar eficácia, segurança, impacto orçamentário e os grupos que teriam maior benefício com a nova alternativa terapêutica.

Caneta emagrecedora no SUS: estudo acompanha 250 pacientes

Um projeto-piloto conduzido pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, acompanha 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças. Batizada de Real-Bari, a pesquisa analisa medicamentos à base de semaglutida e reúne informações sobre resultados clínicos, possíveis riscos, efetividade e custos para o SUS.

O estudo foi planejado para durar dois anos, mas sua conclusão não é considerada condição obrigatória para o início da análise pela comissão. O Ministério da Saúde afirma já reunir dados científicos suficientes para preparar a solicitação, embora ainda não tenha definido quando o pedido será formalizado.

Outra frente em discussão envolve a ampliação da oferta desses produtos e a redução dos preços no mercado brasileiro. O governo mantém conversas com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e com fabricantes, mas ainda não confirmou nenhuma negociação formal para comprar as canetas e distribuí-las nacionalmente.

A expiração da patente da semaglutida no Brasil, ocorrida em março de 2026, abriu espaço para a fabricação de alternativas por empresas nacionais. Em julho, a Anvisa aprovou cinco novos medicamentos com o mesmo princípio ativo, movimento que pode aumentar a concorrência e favorecer valores mais acessíveis.

Caso a incorporação seja aprovada, o tratamento deverá seguir um protocolo clínico e ser combinado com orientação alimentar, atividade física e acompanhamento médico. A implantação dependerá ainda da capacidade financeira do SUS e da definição de regras capazes de direcionar os medicamentos aos pacientes com maior necessidade.

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