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Caso Milton Leite: arquivos, dinheiro e documentos desaparecem de escritório político

A Polícia Civil de São Paulo investiga o desaparecimento de HDs, equipamentos de gravação, documentos e dinheiro de um escritório político utilizado pelo ex-vereador Milton Leite, na região de Santo Amaro, Zona Sul da capital. O caso foi registrado por volta das 21h15 de domingo (20), em meio às buscas pelo ex-parlamentar, investigado por possíveis ligações com empresas de ônibus supostamente infiltradas pelo Primeiro Comando da Capital.

Os dispositivos levados armazenavam imagens produzidas pelas câmeras de segurança instaladas no imóvel, material que poderia ajudar a esclarecer a movimentação recente no local. A retirada dos equipamentos pode comprometer o acesso às gravações, principalmente se os arquivos não tiverem sido enviados para servidores externos ou mantidos em sistemas de armazenamento na nuvem.

A apuração deverá recorrer a câmeras de imóveis vizinhos, registros eletrônicos e outros elementos que permitam reconstituir as circunstâncias do desaparecimento. Até agora, não foram divulgadas informações sobre sinais de arrombamento, valor do dinheiro levado, conteúdo dos documentos ou quantidade de pessoas envolvidas na ação.

Investigação sobre Milton Leite mira transporte público de São Paulo

O episódio ocorreu poucos dias depois da deflagração da Operação Vectura Corrupta, realizada na quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A ofensiva apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e participação do PCC em empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital paulista.

A Justiça determinou a prisão temporária de 16 investigados, mas Milton Leite não foi encontrado após informar que se apresentaria às autoridades dentro do prazo de 24 horas. Policiais chegaram a realizar buscas em Sorocaba na sexta-feira (18), porém o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo não foi localizado e passou a ser considerado foragido no âmbito da operação, se entregando horas mais tarde em uma delegacia de Mogi das Cruzes (SP).

Segundo os investigadores, integrantes da facção criminosa teriam recorrido a intermediários e pessoas usadas formalmente como proprietárias para influenciar companhias de ônibus. O inquérito aponta que pelo menos 12 das 22 empresas do sistema municipal poderiam estar sob controle indireto do grupo criminoso, mediante operações fraudulentas e mecanismos destinados a ocultar recursos.

As suspeitas envolvendo Milton Leite estão concentradas principalmente na Transwolff, empresa com atuação no transporte público paulistano. Documentos reunidos durante a investigação indicariam que o ex-vereador exercia influência sobre a companhia e também mencionam um contrato mensal de R$ 812 mil firmado com uma construtora ligada aos filhos dele.

O ex-parlamentar nega participação no PCC, afirma não ser proprietário de empresa de ônibus e contesta as acusações apresentadas na investigação. Durante as diligências em Sorocaba, os agentes encontraram aproximadamente R$ 686 mil na residência de um antigo assessor ligado a Leite, quantia composta por R$ 280 mil e US$ 79 mil.

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