Aliados de Alcolumbre avançam sobre o cofre bilionário do 5G
O grupo político liderado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ampliou sua presença em áreas estratégicas das telecomunicações durante o governo Lula e alcançou a estrutura responsável por administrar recursos bilionários do leilão do 5G.
Segundo apuração do UOL, aliados do senador ocupam espaços no Ministério das Comunicações, na Telebras, na Anatel e em entidades privadas encarregadas de financiar projetos de conectividade.
O principal nome ligado a Alcolumbre no setor é o deputado federal Juscelino Filho (PSDB-MA), indicado pelo senador para comandar o Ministério das Comunicações. Embora tenha deixado a pasta após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República, o parlamentar continua atuando na área por meio de uma frente parlamentar e de um instituto mantido por empresas de telecomunicações.
Uma das movimentações ocorreu na Eace, entidade que administra R$ 3,1 bilhões destinados à conexão de escolas públicas. Em janeiro de 2024, Juscelino colocou Flávio Ferreira na presidência da organização, que posteriormente firmou cinco contratos, no valor total de R$ 255 milhões, com a operadora Iuh Digital.
A empresa é presidida por Laerte Magalhães, amigo de Ferreira. Os dois foram fotografados juntos em confraternizações realizadas em Brasília durante o período das contratações, acompanhados pelo publicitário Gustavo Gaspar, aliado de Juscelino e preso pela Polícia Federal na investigação sobre fraudes no INSS.
Os contratos, assinados entre fevereiro de 2025 e março de 2026, preveem o fornecimento de internet para escolas por dois anos. O acordo mais recente, sozinho, alcançou R$ 148 milhões. A Eace declarou que seus fornecedores são selecionados por procedimentos formais, impessoais e colegiados. Laerte Magalhães e a Iuh também sustentaram que participaram de processos competitivos.
Juscelino negou ter indicado nomes para a estrutura do 5G. Alcolumbre afirmou que as nomeações para órgãos federais são responsabilidade do Executivo, sem responder diretamente sobre a presença de pessoas ligadas ao seu grupo político nesses postos.
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