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Brasil resolve não participar de audiências públicas nos EUA sobre o tarifaço

(Foto: Jornal Nacional/Reprodução)

O governo federal decidiu não participar como expositor das audiências públicas promovidas pelos Estados Unidos sobre a proposta de impor novas tarifas a produtos brasileiros, que começam nesta segunda-feira (6).

A estratégia adotada pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty é concentrar os esforços nas negociações diplomáticas em andamento, consideradas mais eficazes para tentar evitar o aumento das barreiras comerciais antes do prazo final, marcado para 15 de julho.

Embora o Brasil não tenha solicitado espaço para apresentar argumentos durante as sessões organizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a embaixada brasileira em Washington acompanhará os debates por meio de representantes que atuarão apenas como observadores. A intenção é monitorar os posicionamentos apresentados sem transformar as audiências no principal canal de negociação.

Nos últimos dias, autoridades brasileiras intensificaram o diálogo com integrantes do governo norte-americano. Entre as reuniões realizadas, representantes da área de desenvolvimento e comércio apresentaram respostas aos questionamentos levantados pelos EUA sobre a relação comercial entre os dois países. Apesar disso, ainda não houve uma manifestação oficial da parte americana sobre as propostas encaminhadas.

Enquanto as tratativas continuam, o governo brasileiro mantém a avaliação de que a melhor alternativa é reforçar o diálogo técnico e institucional. Paralelamente, integrantes da equipe econômica defendem a ampliação das exportações para outros destinos, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.

Segundo o governo, o país abriu centenas de novos mercados para produtos brasileiros nos últimos anos e aposta na diversificação comercial, além do avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a recomendação das tarifas possui forte componente político e pouco considerou os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil ao longo das negociações. A percepção predominante é de que dificilmente haverá um recuo integral da medida. Ainda assim, autoridades trabalham para obter uma redução das tarifas ou garantir exceções para determinados produtos antes da conclusão das negociações previstas para a próxima semana.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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