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Cenário de guerra: porto vira necrotério após terremotos na Venezuela

(Foto: Federico Parra/AFP)

O porto de La Guaira, principal terminal marítimo da Venezuela e uma das áreas mais afetadas pelos terremotos registrados na última quarta-feira (24), passou a concentrar uma das cenas mais dramáticas da tragédia. Seis dias após os abalos de magnitude 7,2 e 7,5, o local foi transformado em um centro provisório para identificação e liberação de vítimas, diante da incapacidade dos necrotérios da região de atender ao elevado número de mortos. O balanço oficial mais recente aponta 2.295 óbitos, enquanto as buscas seguem entre os escombros.

A estrutura improvisada reúne médicos legistas, equipes forenses e dezenas de caixões, além de caminhões responsáveis pelo transporte de materiais utilizados nas autópsias. Também é no porto que familiares recebem certidões de óbito e autorização para cremação, após o reconhecimento dos corpos.

A rotina no local é marcada por longas filas e pela angústia de quem ainda procura parentes desaparecidos. Muitos moradores percorrem o espaço durante horas na esperança de localizar familiares retirados das áreas destruídas. Em vários casos, a identificação só tem sido possível por objetos pessoais, como alianças, anéis ou peças de roupa.

Moradores também reclamam da escassez de equipes oficiais para atuar nos resgates, afirmando que grande parte da retirada de vítimas continua sendo realizada com apoio de voluntários e vizinhos. A situação agravou ainda mais o clima de revolta entre sobreviventes que perderam familiares e casas.

Enquanto isso, a Organização das Nações Unidas anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias para auxiliar nas operações. A entidade estima que cerca de 50 mil pessoas permaneçam desaparecidas, embora o governo venezuelano não divulgue um número oficial.

Além da crise humanitária, milhares de famílias seguem desalojadas. Conjuntos habitacionais construídos pelo governo sofreram graves danos estruturais, com diversos edifícios completamente destruídos ou ameaçando desabar. Em bairros próximos a La Guaira, moradores continuam dormindo nas ruas, sem autorização para retornar aos apartamentos, devido ao risco de novos desmoronamentos.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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