Despejo no centro de São Paulo deixa 18 famílias sem moradia e expõe contradição da gestão de Ricardo Nunes
Uma operação de reintegração de posse realizada pela Polícia Militar na manhã de quarta-feira (4), no Bom Retiro, região central de São Paulo, deixou 18 famílias sem moradia após a desocupação de um prédio de cinco andares conhecido como Ocupação Zepa. Cerca de 60 pessoas em situação de vulnerabilidade foram atingidas, incluindo idosos, imigrantes bolivianos e crianças com deficiência, enquanto a Prefeitura de São Paulo é questionada pela ausência de planejamento para acolher os moradores.
Segundo informações do Brasil de Fato, a ação ocorreu após a administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informar, na terça-feira (3), que suas secretarias não haviam sido convocadas para acompanhar o despejo. Entretanto, servidores municipais e assistentes sociais compareceram ao imóvel durante a operação e realizaram o cadastramento das famílias.
Após novos questionamentos, a prefeitura confirmou que a assistência social havia sido acionada para prestar atendimento no endereço. A gestão, porém, não esclareceu quais alternativas habitacionais seriam oferecidas às pessoas retiradas do edifício.
Moradores relataram dificuldades para encontrar abrigo, especialmente devido aos preços elevados dos aluguéis na região central. A desocupação também comprometeu a frequência escolar das crianças e o acesso aos serviços de saúde utilizados pelas famílias.
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Segundo representantes da ocupação, parte dos desalojados foi encaminhada para abrigos provisórios, enquanto outros buscaram acolhimento em movimentos populares. Entre os atingidos estavam quatro crianças autistas e uma com mobilidade reduzida.
A defesa jurídica dos moradores também questionou a situação do imóvel, abandonado há aproximadamente três décadas e com dívida de IPTU estimada em R$ 75 milhões. Os representantes defendem medidas habitacionais e criticam a ausência do Conselho Tutelar durante a operação.
A Polícia Militar informou que cumpriu a determinação judicial e que houve disponibilização de transporte para os pertences. Movimentos sociais como o Olga Benário e o Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) acompanharam a desocupação e auxiliaram as famílias.
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