Estudos relacionam maus-tratos a animais à violência doméstica
O espancamento e morte do cão comunitário Orelha por adolescentes de famílias abastadas na praia Brava, em Florianópolis, suscitaram questionamentos sobre as motivações para esse tipo de violência contra animais. Estudos baseados na chamada “Teoria do Elo” relacionam a prática de maus-tratos contra animais à violência entre humanos, especialmente no ambiente doméstico.
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A teoria aponta que esses comportamentos estão interligados, e que muitas vezes quem pratica maus-tratos contra animais reproduz o mesmo comportamento contra humanos.
A pesquisadora do King’s College London, Fiona S. McEwen, especializada em desenvolvimento infantil e psicopatologia, comandou a pesquisa publicada em 2014, sob o título: “Is childhood cruelty to animals a marker for physical maltreatment in a prospective cohort study of children?” (em tradução livre: “A crueldade infantil contra animais é um marcador de maus-tratos físicos em um estudo de corte prospectivo de crianças?”.
O levantamento apontou que 27,1% de adultos que, na idade infantil, sofreram violência doméstica foram também responsáveis por maus-tratos aos animais.
Outra pesquisa, da psicóloga estadunidense Lacey Levitt, de 2016, indicou que mais, 93% dos agressores de animais possuíam histórico de cometerem outras infrações penais.
Chantagem
Um terceiro estudo, de 2011, da pesquisadora Nair Elizabeth Padilha, intitulado “Crueldade com animais x violência doméstica contra mulheres: uma conexão real”, revelou que 50% das mulheres em situação de violência relataram agressões aos animais da casa por parte de seus parceiros.
De acordo com os especialistas, é comum o agressor usar a violência contra o pet como uma ferramenta de coação e controle emocional contra mulheres e crianças, visando impedir que a vítima humana o denuncie por medo de que algo pior aconteça ao animal. Os dados mostram que maus-tratos contra animais podem ser um sinal de violência doméstica.
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