Falsos médicos criados por IA colocam pacientes em risco no YouTube
O governo federal identificou 97 perfis no YouTube que utilizam inteligência artificial para criar falsos médicos e especialistas, espalhar desinformação sobre saúde e anunciar supostas curas sem respaldo científico. Diante do risco aos usuários, a Advocacia-Geral da União notificou o Google na terça-feira (9) e exigiu providências contra os canais.
O levantamento foi produzido pelo programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que monitora conteúdos enganosos publicados nas plataformas digitais. As páginas investigadas recorrem a avatares com aparência humana, currículos inventados e discursos alarmistas para dar credibilidade às orientações apresentadas nos vídeos.
Segundo a análise do ministério, parte das contas mira especialmente pessoas idosas, consideradas mais vulneráveis a golpes e recomendações médicas fraudulentas. Alguns dos personagens artificiais também são usados para promover produtos, serviços pagos e livros digitais, aproveitando-se da falsa imagem de autoridade profissional.
A notificação estabelece prazo de até 72 horas para que o YouTube retire os materiais indicados pelas autoridades ou adote mecanismos de identificação e contextualização. Caso os vídeos permaneçam disponíveis, a plataforma deverá informar claramente ao público que os supostos especialistas foram produzidos por inteligência artificial e não correspondem a profissionais reais.
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O Google também foi orientado a avaliar outros canais relacionados no relatório do Ministério da Saúde, considerando as próprias regras da plataforma sobre conteúdo sintético e desinformação médica. O governo ainda cobrou medidas preventivas capazes de reduzir o alcance e impedir a reprodução desse tipo de fraude.
A ação reúne a AGU, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e os ministérios da Saúde, da Justiça e Segurança Pública e da Ciência, Tecnologia e Inovação. A força-tarefa considera que as publicações podem colocar a população em perigo ao estimular tratamentos ineficazes, atrasar a procura por atendimento adequado e explorar financeiramente usuários vulneráveis.
Procurado após a notificação federal, o Google informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria o caso.
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