A Associação do Futebol Argentino (AFA) passou a ser investigada por autoridades dos Estados Unidos em meio à disputa da Copa do Mundo pela seleção do país. A apuração, conduzida pelo FBI e por procuradores federais, busca esclarecer movimentações financeiras realizadas por meio do sistema bancário americano que podem ter relação com crimes como fraude e lavagem de dinheiro.
Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, o foco da investigação é rastrear o destino de centenas de milhões de dólares que circularam por contas mantidas em instituições financeiras dos Estados Unidos. Os investigadores tentam identificar se parte dessas operações contrariou a legislação americana e beneficiou terceiros de forma irregular.
Entre os principais alvos da análise está a empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor Javier Faroni e à empresária Erica Gillette. A companhia teria administrado contratos internacionais da entidade esportiva, incluindo acordos comerciais com grandes marcas, além de movimentar aproximadamente US$ 260 milhões por meio de contas abertas em cinco bancos americanos.
As autoridades afirmam que apenas uma parcela desse volume financeiro possui justificativas operacionais comprovadas. Outro montante, estimado em US$ 57 milhões, foi transferido para diferentes empresas, cujas ligações e finalidade ainda estão sendo examinadas durante a investigação.
O caso ganhou força ao longo deste ano, após o surgimento de novos documentos bancários e informações que ampliaram as suspeitas. A condução da investigação está a cargo de procuradores especializados em crimes financeiros do Distrito Sul da Flórida.
O empresário Guillermo Tofoni, responsável pela denúncia inicial, figura entre as principais testemunhas ouvidas pelas autoridades. Também existe a possibilidade de ex-integrantes do governo argentino prestarem depoimento.
A origem da apuração remonta a um alerta enviado às autoridades americanas em setembro de 2024 pelo então Ministério da Segurança da Argentina. Na ocasião, o FBI concluiu que não havia elementos suficientes para abrir um inquérito criminal. O cenário mudou no início de 2026, quando novas provas passaram a sustentar a investigação.
Enquanto isso, o presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, acompanha a seleção argentina durante o Mundial. Ele viajou após obter autorização da Justiça de seu país, apesar de responder a outro processo relacionado à suposta retenção irregular de tributos e contribuições previdenciárias.
Até o momento, nem a entidade nem seu dirigente divulgaram posicionamento oficial sobre a investigação. O procedimento segue em fase preliminar e, até agora, não houve apresentação de denúncia criminal contra a AFA ou seus representantes.
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