O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, desistiu de criar um “selo de acurácia” para medir o grau de acerto das pesquisas eleitorais nas eleições de 2026. O magistrado propôs a iniciativa em reunião com institutos de pesquisa, no último dia 14, mas voltou atrás após ser ridicularizado por especialistas do setor, que classificaram a ideia absurda e totalmente equivocada.
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Nunes Marques apresentou a proposta após a má repercussão de sua decisão de censurar, no início de junho, pesquisa Atlas/Intel que mostrava a queda das intenções de voto do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ). O ministro – que chegou ao cargo após ser indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), pai de Flávio – atendendo a pedido dos advogados do senador.
Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) apontou o total despropósito da ideia do magistrado. “Pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem promessas de resultado. Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, afirmou a entidade.
“Pesquisas não têm o objetivo de prever o resultado de uma eleição. Seu papel é retratar, por meio de métodos estatísticos reconhecidos, as intenções de voto existentes no momento em que são realizadas. Confundir pesquisa com previsão é um erro comum entre pessoas mal informadas sobre a ciência estatística. Não deveria ser uma premissa admitida na mais alta corte eleitoral do país”, disse ao Uol a diretora do Datafolha, Luciana Chong.
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