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Fim da escala 6×1 vira arma de Lula para o segundo turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou a última semana de votações antes das eleições sem conseguir aprovar no Senado a PEC que reduz a jornada semanal e acaba com a escala 6×1. Embora esteja a uma etapa da promulgação, o texto não chegou ao plenário por falta de acordo político e pelo esvaziamento da sessão.

Nos bastidores, dirigentes do Congresso afirmam que a votação poderá ocorrer depois do primeiro turno. A avaliação é que a aprovação nesse período daria a Lula um importante trunfo eleitoral numa possível disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A definição, porém, dependerá de nova negociação com os parlamentares, pois parte dos senadores considera que a pressão popular pode diminuir após as eleições legislativas. Sem a necessidade imediata de conquistar votos, integrantes da Casa teriam menos incentivo para apoiar uma mudança com forte adesão entre trabalhadores.

O governo decidiu preservar a relação com Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. José Guimarães, Randolfe Rodrigues e Teresa Leitão evitaram responsabilizá-lo pelo adiamento, enquanto Alcolumbre garantiu ao senador Paulo Paim que a matéria será analisada depois das eleições.

Aliados de Alcolumbre e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitam a interpretação de derrota para o Planalto. Eles lembram que a reunião com Lula havia previsto apenas a votação na Comissão de Constituição e Justiça, etapa concluída com a rejeição das 36 emendas apresentadas.

Senadores próximos a Flávio Bolsonaro trabalharam para impedir quórum, evitando o desgaste de votar abertamente contra a proposta. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do senador, conduziu a articulação e apresentou uma PEC alternativa.

Aprovado pela Câmara em maio, o projeto avançou no Senado após a reaproximação entre Lula e Alcolumbre, com relatório de Omar Aziz. A PEC reduz o limite semanal de 44 para 40 horas, mantém o teto de oito horas diárias e estabelece dois dias remunerados de descanso, preferencialmente incluindo o domingo.

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