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Indígenas denunciam ameaças de envenenamento de água após vitória de Lula

O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigações sobre denúncias de violência, intimidação e ameaças contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Os procedimentos foram instaurados a partir de informações encaminhadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que relatou atropelamentos, agressões e suspeitas de envenenamento de fontes de água utilizadas pelas populações locais.

As apurações foram distribuídas entre unidades regionais do MPF, responsáveis por verificar os episódios denunciados e identificar eventuais responsáveis. Os primeiros levantamentos apontaram situações distintas nos municípios de Naviraí e Tacuru, onde as autoridades adotaram medidas específicas para esclarecer os acontecimentos.

Em Naviraí, investigações realizadas pelo MPF não encontraram evidências de assassinatos de indígenas relacionados às disputas eleitorais. A apuração identificou que imagens divulgadas nas redes sociais pertenciam a uma tentativa de duplo homicídio provocada por conflitos familiares, sem relação comprovada com questões étnicas ou políticas.

Representantes de comunidades indígenas da região também informaram desconhecer ataques contra seus integrantes, contrariando publicações que circulavam na internet. Embora os documentos analisados não tenham identificado pertencimento indígena das vítimas, o MPF solicitou uma verificação complementar aos órgãos federais de saúde indígena.

Em Tacuru, o Ministério Público apura denúncias envolvendo gravações com ameaças contra indígenas, incluindo referências à possível contaminação da água consumida pelas comunidades. A prefeitura recebeu prazo de 48 horas para esclarecer os fatos e informar quais providências foram adotadas para proteger os moradores.

O órgão também recomendou a abertura de processos administrativos e o afastamento preventivo de servidores municipais caso surjam indícios consistentes de participação nas ameaças. As investigações continuam para verificar a autenticidade dos áudios e garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais às comunidades indígenas da região.

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