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Investigação liga emendas de Cunha a cidades onde ele comprou rádios

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é apontado em investigação da Polícia Federal (PF) como responsável por articular o envio de R$ 6,1 milhões em emendas parlamentares para municípios de Minas Gerais, mesmo sem ocupar mandato.

Segundo as apurações, os recursos foram destinados principalmente à área da saúde em 21 cidades e coincidem, em alguns casos, com localidades onde o ex-deputado vem adquirindo emissoras de rádio como parte de sua estratégia para ampliar presença política no estado, onde pretende disputar uma vaga na Câmara nas eleições deste ano.

A investigação indica que parlamentares apareceram oficialmente como autores das emendas, enquanto Cunha teria sido o verdadeiro articulador dos pedidos. Para os investigadores, a prática teria servido para ocultar o responsável pela destinação dos recursos.

A avaliação da PF contrasta com a versão apresentada por Cunha, que afirma ter apenas sugerido propostas de emendas a integrantes de seu partido, cabendo aos deputados a decisão sobre a liberação das verbas.

Um dos casos destacados envolve Varjão de Minas. Dias antes da apresentação de uma emenda de R$ 590 mil para a atenção primária à saúde, Cunha participou de um encontro político na cidade ao lado do prefeito Rafael de Toni.

Posteriormente, ao divulgar os recursos obtidos pelo município, a administração municipal atribuiu a indicação da verba diretamente ao ex-presidente da Câmara. Procurada, a prefeitura informou que se manifestaria por nota, mas não apresentou resposta.

Situações semelhantes aparecem em outros municípios. Em Piau, o presidente da Câmara Municipal, Mica Carvalho, afirmou ter articulado, ao lado de Cunha, a obtenção de R$ 300 mil para a saúde local, ao lado do prefeito Wander Loures.

Já em Guarani, cidade onde Cunha adquiriu uma emissora de rádio posteriormente transferida para Ubá, uma emenda de R$ 250 mil consta na planilha apreendida pela PF. Em Raul Soares, outra cidade beneficiada, ele também comprou uma rádio com planos de ampliar a cobertura para centros maiores.

Ao determinar o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Cunha, o ministro do STF Flávio Dino considerou que havia indícios de forte influência do ex-deputado sobre a destinação das verbas públicas, apesar de ele não exercer mandato parlamentar. Cunha nega qualquer irregularidade e sustenta que não indicou emendas, limitando-se a apresentar sugestões a parlamentares e atender pedidos feitos por prefeitos.

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