Lula domina alianças e dispara na batalha por visibilidade eleitoral
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegará à eleição presidencial de 2026 como o único candidato apoiado por partidos além da própria legenda. O cenário, definido após o encerramento das convenções na quarta-feira (5), dará ao petista uma vantagem importante sobre Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário, sobretudo na propaganda eleitoral de rádio e televisão.
Lula reunirá sete siglas em torno de sua candidatura, considerando os partidos organizados em federações. A coligação contará com PSB e PDT, além da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, e da união entre PSOL e Rede. Com essa estrutura, o presidente terá o maior espaço nos programas oficiais da campanha.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, disputará o Palácio do Planalto apenas com o PL. Sem conseguir atrair aliados nacionais, o senador deverá ter aproximadamente 20% menos tempo de propaganda do que Lula, diferença que pode pesar na exposição dos candidatos durante a corrida eleitoral.
A configuração é inédita desde a redemocratização. Nas nove eleições presidenciais realizadas a partir de 1989, pelo menos dois concorrentes formaram alianças com outras legendas. Até quarta-feira, 13 candidaturas haviam sido anunciadas, mas 12 delas apresentavam candidatos a presidente e vice ligados a um único partido.
Segundo depoimento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, à Folha de S. Paulo, o isolamento das candidaturas está relacionado ao fortalecimento do Congresso. Com o crescimento das emendas parlamentares e dos fundos partidário e eleitoral, as legendas passaram a depender menos da disputa presidencial para manter influência política e recursos financeiros.
A neutralidade adotada por União Brasil, PP, Republicanos, MDB e Podemos também favorece acordos regionais. Assim, os diretórios podem apoiar Lula em estados onde o petista é mais competitivo e negociar com Flávio Bolsonaro ou outros candidatos em regiões diferentes.
Em 2026, somente Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) terão propaganda no rádio e na televisão. As alianças colocam o petista na posição mais vantajosa dessa disputa por visibilidade nacional.
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