Mil animais são resgatados pela Polícia Civil de SP em operação contra violência online
Mais de mil animais foram resgatados pela Polícia Civil de São Paulo apenas nos três primeiros meses de 2026 durante investigações sobre zoosadismo, prática criminosa que envolve tortura e maus-tratos transmitidos ao vivo pela internet.
As apurações identificaram grupos organizados que usam plataformas digitais, principalmente o Discord, para compartilhar violência extrema envolvendo animais e estimular adolescentes e jovens a participar de desafios criminosos.
Segundo o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), unidade especializada em crimes cibernéticos da Secretaria da Segurança Pública paulista, os casos monitorados têm relação direta com comunidades virtuais que utilizam a crueldade contra animais como forma de banalizar a violência e recrutar usuários para outras práticas ilegais.
Entre elas estão incentivo à automutilação, estupro virtual, ameaças e até planejamento de ataques em escolas. A polícia afirma que os criminosos se organizam em servidores privados para realizar transmissões ao vivo durante as madrugadas.
Nesses espaços, vídeos de maus-tratos são compartilhados como forma de competição entre participantes. Os investigadores acompanham, em média, de dez a quinze ocorrências por noite.
A maior parte das vítimas é formada por gatos, principalmente filhotes, considerados mais vulneráveis pelos integrantes dos grupos. Dados do Noad mostram crescimento contínuo desse tipo de ocorrência nos últimos anos, com expectativa de nova alta em 2026.
Em uma das operações recentes, a polícia conseguiu impedir a morte de um gato em Fortaleza após identificar uma adolescente que planejava transmitir o crime pela internet. A ação contou com apoio da Polícia Civil do Ceará depois que investigadores paulistas obtiveram autorização para quebra de sigilo digital e localizaram a suspeita.
Em fevereiro, o Noad encaminhou um relatório ao Ministério Público apontando falhas na moderação do Discord. O documento relata demora para derrubar servidores e dificuldades para interromper transmissões criminosas em tempo real.
Os envolvidos podem responder por maus-tratos a animais, crime cuja pena pode chegar a cinco anos de prisão nos casos envolvendo cães e gatos.
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