MST espalha sementes no Vale do Rio Doce para recuperar área degradada
Famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) semearam espécies nativas no assentamento Ulisses Oliveira, em Jampruca, no Vale do Rio Doce, como parte de um mutirão nacional iniciado em 19 de setembro para recuperar áreas degradadas e enfrentar os efeitos da crise climática. A atividade usa a chamada muvuca de sementes, técnica que mistura espécies diferentes para favorecer a volta da vegetação e ampliar a biodiversidade.
A semeadura ocorreu em um terreno onde as famílias já acompanham o crescimento espontâneo de plantas nativas. Como a área foi bastante afetada e hoje tem predominância de aroeiras, o plantio direto de sementes busca criar melhores condições para que outras espécies se desenvolvam.
Parte do material utilizado vem de grupos organizados nos assentamentos da Bacia do Rio Doce. Ao todo, oito núcleos reúnem mais de 400 pessoas que identificam árvores, coletam sementes e preparam o material para armazenamento e plantio.
A participação das mulheres ganhou força nesse trabalho, especialmente no Núcleo Maritacas, instalado no assentamento Ulisses Oliveira. Além de contribuir para a restauração, a coleta permite que as famílias mantenham suas próprias sementes e reconheçam as árvores que poderão fornecer material para novos plantios.
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A iniciativa integra um programa de agroecologia desenvolvido pelo MST na região desde 2019, com recursos previstos em acordo firmado após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Segundo o movimento, 436 famílias de oito assentamentos participam das atividades de coleta, produção e semeadura.
O programa informa ter coletado 16 toneladas de sementes e plantado 500 mil mudas de árvores nativas e frutíferas. Também registra a restauração de áreas individuais e coletivas e prevê o plantio de outras 450 mil mudas no próximo período.
O mutirão nacional segue até 3 de outubro, com ações voltadas à conservação ambiental e à produção de alimentos. No Vale do Rio Doce, o trabalho reúne restauração, formação comunitária e atividades com escolas, ampliando a participação das famílias no cuidado com o território.
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