Candidatos da Amazônia acumulam mais de R$ 176 milhões em multas ambientais
Um levantamento realizado pelo SUMAÚMA identificou 75 candidatos nas eleições de 2026 associados a dívidas ambientais na Amazônia Legal, com 200 infrações aplicadas pelo Ibama entre 2004 e este ano. As multas ultrapassam R$ 176 milhões e envolvem desmatamento, queimadas, mineração clandestina, descumprimento de embargos e outras irregularidades.
Entre os casos está o de Dr. Daniel, candidato ao governo do Pará que promete ampliar a agropecuária, enfrentar demarcações de Terras Indígenas e revisar punições ambientais. Em 2024, ele foi multado em R$ 1,4 milhão pelo desmatamento sem autorização de 280 hectares de vegetação nativa próximos à sua fazenda, em Tomé-Açu.
A candidata a vice na chapa, Ellayne D’Almeida, também foi autuada pelo órgão federal por mineração ilegal no Médio Tapajós, região afetada pela contaminação provocada pelo garimpo. A defesa nega a participação dela na atividade e ressalta que o processo administrativo ainda não recebeu uma decisão definitiva.
Novo, Podemos, PL e Republicanos reúnem 113 das infrações encontradas, o equivalente a 56,5% do total analisado. Considerando apenas os registros entre 2022 e 2026, políticos filiados ao PL concentram 15 das 46 ocorrências, aproximadamente um terço das autuações recentes.
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O levantamento também cita Antonio Galvan, candidato ao Senado por Mato Grosso, multado em R$ 1,6 milhão pela instalação irregular de uma pista utilizada por aeronaves de pulverização agrícola. No Acre, Zé Lopes Júnior recebeu ao menos 11 multas que superam R$ 7,8 milhões por desmatamentos registrados em Boca do Acre e Lábrea.
Os dados não significam que todas as penalidades estejam confirmadas, pois parte dos processos permanece sob contestação administrativa ou judicial. Das 200 infrações localizadas, 34 aparecem como canceladas, enquanto outras aguardam julgamento, foram suspensas, prescreveram ou chegaram à fase de cobrança judicial.
O Pará lidera a concentração de ocorrências, com 42 infrações relacionadas a 17 candidatos, e tornou o embate contra a fiscalização um tema central da campanha estadual.
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