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Negros avançam nas urnas, mas seguem longe do poder no Congresso

A presença de candidatos negros nas disputas pelo Congresso cresceu na última década, mas esse avanço ainda não chegou na mesma proporção às cadeiras da Câmara dos Deputados e do Senado, onde pretos e pardos permanecem abaixo de 30% dos parlamentares.

Dados reunidos pelo Núcleo de Estudos Raciais do Insper (Neri), a partir das eleições de 2014, 2018 e 2022, e divulgados em reportagem da Folha de S. Paulo, mostram que a distância persiste apesar do aumento da participação negra nas urnas.

Na Câmara, a parcela de negros entre os eleitos passou de 19,9% em 2014 para 26,5% em 2022, enquanto no Senado o índice avançou de 18,5% para 22,2% no mesmo intervalo. Camila Alvarenga, economista e pesquisadora responsável pelo levantamento ao lado de Michael França, aponta que a evolução não acompanha o peso da população negra no eleitorado brasileiro.

O desequilíbrio também aparece no Índice de Equilíbrio Racial (IER), indicador utilizado pelo Neri para relacionar a presença de negros entre candidatos ou eleitos com a população negra de cada região. Desde 2014, os resultados permanecem abaixo do nível considerado equilibrado nos cargos analisados, com situação especialmente desfavorável no Senado.

Os registros preliminares para as eleições de 2026 reforçam o tamanho do desafio, embora ainda dependam da análise da Justiça Eleitoral. Até o encerramento do prazo partidário, o Tribunal Superior Eleitoral contabilizava 10.226 candidaturas negras para todos os cargos, sendo 2.803 de pessoas pretas e 7.415 de pardas, equivalentes a 49,8% do total registrado.

Em 2022, 141 dos 540 parlamentares escolhidos para Câmara e Senado declararam-se negros, resultado 8,5% superior ao da eleição anterior.

Para Camila Alvarenga, enfrentar a diferença entre candidaturas e mandatos exige atenção às desigualdades no financiamento eleitoral, além da fiscalização das regras destinadas a ampliar a participação de candidatos negros.

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