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BK’, Bianca Monteiro e N.I.N.A recebem honrarias no “Cultura é Compromisso”

(Foto: Divulgação)

No evento “Cultura é Compromisso”, que contou com a participação de mais de 100 fazedores de cultura do Rio de Janeiro, o rapper BK’ e a rainha de bateria da Portela, Bianca Monteiro, foram condecorados com a Medalha Pedro Ernesto, maior honraria do legislativo municipal. Já a rapper N.I.N.A foi agraciada com a Medalha Chiquinha Gonzaga. A iniciativa de homenagear grandes nomes do cenário artístico nacional partiu da vereadora Maíra do MST, vice-presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal do Rio.

A Medalha Pedro Ernesto valoriza pessoas e instituições que mais se destacam na sociedade brasileira. Já a Medalha Chiquinha Gonzaga é um reconhecimento a mulheres que se destacam em prol de causas democráticas, humanitárias, artísticas e culturais. A solenidade foi realizada no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, no último dia 10.

(Foto: Divulgação)

Com cachê de até R$ 180 mil, BK’ se tornou um dos rappers mais talentosos e famosos da atualidade, inspirando as novas gerações da periferia com suas letras impactantes e críticas sociais. BK’ destacou a importância da coletividade e da educação dentro do movimento artístico.

Recebo essa homenagem em nome de toda a comunidade Hip Hop porque a gente vem do coletivo. Apesar de ainda ser marginalizada, a cultura Hip Hop é uma aliada da educação. Tudo o que eu aprendi na vida foi por causa dela e eu fico muito feliz de contribuir para o fortalecimento da autoestima preta

afirmou o rapper.
(Foto: Divulgação)

Além de produtora cultural, Bianca Monteiro vem se destacando à frente da bateria “Tabajara do Samba” e servindo de exemplo para centenas de meninas que um dia sonham ocupar a mesma posição na centenária agremiação dos bairros de Oswaldo Cruz e Madureira.

Desfilo desde os meus 14 anos, sou sambista com muito orgulho e defendo essa arte. Receber uma honraria como essa é a resposta pra tudo que a gente sempre procurou em nossas vidas. O samba é quem eu sou hoje, é a construção da minha vida. Todas as meninas sonham em se tornar rainha de bateria. Ocupar esse lugar é muito maior que você. É representar toda uma comunidade e ancestralidade. Eu sambo por todas as mulheres que resistiram, lutaram e tiveram seus corpos sexualizados. Estar aqui hoje é quebrar preconceitos

disse Bianca.

Ao concluir sua fala, a rainha de bateria da Portela dedicou a Medalha Pedro Ernesto ao pai.

Por muitas vezes pensei em desistir e ele sempre apoiou meu sonho e acreditou em mim. Pai, sua filha venceu

declarou, emocionada.
(Foto: Divulgação)

Cria da Cidade Alta, favela situada na Zona Norte carioca, N.I.N.A vem se consagrando como uma das artistas mais relevantes da cena do grime e drill no Brasil atualmente. Ela destacou como a cultura influenciou seu modo de ver e interpretar o mundo.

O rap e a cultura vieram para me dar voz, força e um sentido na vida. O rap foi a resposta para todas as perguntas e dúvidas que eu tinha. É muito bom ser resistência e ser reconhecida como alguém que faz a diferença, porque é muito difícil isso acontecer quando você é uma mulher preta nesses espaços

ressaltou N.I.N.A.

Logo após a entrega das medalhas, outros 65 fazedores de cultura que atuam em diversas áreas, como teatro, dança e música, receberam das mãos da parlamentar moções honrosas em reconhecimento ao trabalho desenvolvido por esses profissionais, responsáveis por movimentar a cena cultural e gerar renda e oportunidades para milhares de famílias. Entre os agraciados estiveram várias personalidades artísticas, produtores e diretores culturais, instituições e coletivos.

Durante sua fala, a vereadora Maíra do MST destacou o compromisso do mandato com as políticas públicas culturais.

A cultura popular, seja no campo ou na cidade, resiste. Em tempos de barbárie, a gente percebe que é a cultura que dá liga à memória coletiva e mantém acesa a chama da resistência. Desde que ocupamos a Câmara, afirmamos que a cultura é compromisso. Aprendi que a luta pela terra é também uma luta pela cultura. Nas escolas do campo a cultura está no centro da formação humana. Quando as políticas públicas não chegam é a cultura que dá respostas ao povo

ressaltou a parlamentar.

Ela encerrou seu discurso citando uma conhecida frase de Gilberto Gil, proferida em 2003, quando era Ministro da Cultura do governo Lula.

Cultura é ordinária! Cultura é igual feijão com arroz, é necessidade básica. Tem que estar na mesa, tem que estar na cesta básica de todo mundo

concluiu Maíra do MST, arrancando aplausos do público.
(Foto: Divulgação)

A cerimônia também contou com as presenças da deputada estadual Marina do MST e do secretário municipal de Cultura do Rio, Lucas Padilha. A deputada destacou a relação entre soberania e arte e criticou a criminalização da cultura popular.

Não há soberania alimentar e nacional sem acesso à arte e à cultura do nosso povo pobre, preto, da favela e do campo. Vivemos em tempos em que a arte continua sendo criminalizada. Foi assim com o samba, o jongo e a capoeira. Hoje, o rap, o hip hop e o funk, que também são expressões legítimas da periferia, enfrentam a mesma perseguição. Parece que quando a cultura vem do povo, da favela e da quebrada, ela precisa ser silenciada, controlada e interditada. Mas hoje será diferente. Estamos premiando a diversidade e a resistência cultural que existem na nossa cidade. E o poder público está aqui fazendo esse reconhecimento

ressaltou Marina do MST.

Durante o evento, o secretário Lucas Padilha anunciou, para 2026, o lançamento de um edital público milionário para fomentar a cultura periférica por meio de batalhas de rima, rap e hip hop.

O espírito do mandato da Maíra é dedicado à cultura, ela cobra de verdade o executivo todos os dias. A arte periférica brasileira é toda a arte brasileira e tem tudo a ver com os movimentos sociais. Precisamos de políticas públicas culturais que reconheçam e valorizem a memória cultural do povo. E na noite de hoje estamos construindo memória

concluiu Padilha.
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Redação BFC

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