Skip to content Skip to footer

Estudo revela 10,7 mil aposentadorias acima do teto constitucional

Aposentadorias teto constitucional
(Foto: Breno Esaki/Metrópoles)

Um levantamento recente das organizações República.org e Movimento Pessoas à Frente, revelado em reportagem do O Globo, expôs a dimensão dos privilégios acumulados por um grupo restrito de aposentados e pensionistas do setor público. Segundo o estudo, 10,7 mil beneficiários recebem valores acima do limite constitucional, resultando em um impacto anual de quase R$ 4 bilhões para os cofres públicos.

Embora já contem com regras previdenciárias mais favoráveis que as do INSS, muitos conseguem romper o teto do Regime Próprio, hoje fixado em R$ 46,3 mil mensais, graças a brechas legais que permitem incorporações, retroativos e gratificações que escapam do controle do teto.

O contraste com a realidade da maioria dos trabalhadores é evidente: o limite do INSS está pouco acima de R$ 8 mil. Para dimensionar o peso das superaposentadorias, o valor gasto anualmente seria suficiente para custear quase 35 mil aposentadorias no teto do regime geral.

Apesar disso, o Ministério da Gestão não se manifestou sobre os novos dados, limitando-se a reiterar, em outras ocasiões, que o número de casos irregulares seria proporcionalmente pequeno. O estudo, no entanto, revela um quadro mais amplo: ao analisar benefícios de 4 milhões de servidores, identificou 53,5 mil recebendo acima do teto, incluindo magistrados, categoria que concentra a maior fatia desses pagamentos.

Os mecanismos que permitem tais distorções incluem retroativos classificados como verbas indenizatórias e a manutenção de benefícios antigos, preservados por decisões judiciais, mesmo após terem sido formalmente extintos pelas reformas previdenciárias. No caso dos militares, regras específicas ampliam ainda mais o alcance das pensões, permitindo acúmulos que, em situações extremas, ultrapassam R$ 100 mil mensais.

Especialistas alertam que tais privilégios, além de pressionarem o orçamento, reduzem a margem para novas contratações e criam um sistema marcado por desigualdades internas. Sem maior transparência e revisão das brechas legais, a tendência é de agravamento do desequilíbrio fiscal e perpetuação das superpensões.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

07 jun 2026

“Agudo Grave”: Zélia Duncan enfrenta a era da IA e das incertezas em um dos álbuns mais ousados da carreira

Novo álbum da cantora e compositora recusa fórmulas prontas e transforma as inquietações do mundo digital em matéria-prima artística
08 jun 2026

Rua de São João anuncia atrações e promete parar Aracaju em junho

Evento no bairro Industrial terá seis dias de festa em junho, com 25 atrações, concurso de quadrilhas e shows de forró
08 jun 2026

Quase R$ 900 milhões: PL domina divisão do fundo eleitoral

Com o PL na liderança e o PT em segundo, nova divisão estrangula siglas menores e injeta bilhões nas campanhas do Congresso e governos
08 jun 2026

ONGs movimentaram quase R$ 10 milhões em contratos cruzados em São Paulo

Auditoria em convênios de projetos sociais entre 2020 e 2025 revela conflito de interesses; Controladoria abriu investigação e bloqueou novos contratos
08 jun 2026

Salvador prepara grande homenagem a Santo Antônio com programação especial

Entre 10 e 12 de junho, o CCPI reúne celebrações religiosas, sanfona e Samba Duro da Ladeira com acesso gratuito no Largo do Pelourinho
08 jun 2026

Com apoio de 181 países, Brasil garante posição privilegiada em conselho estratégico da ONU

País assume cadeira no ECOSOC para o mandato de 2027 a 2029, consolidando seu papel na formulação de políticas globais de desenvolvimento sustentável

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário