Ex-comandante da Aeronáutica conta bastidores da trama golpista em livro
O ex-comandante da Força Aérea brasileira no governo Bolsonaro, Carlos Baptista Júnior, lança em setembro, em plena campanha eleitoral, o livro “Eu disse não – uma trincheira antigolpista” que promete fazer muito barulho, contando detalhes dos bastidores da trama liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para tentar impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, ou derrubar o governo com um golpe que resultou nos acontecimentos de 8 de janeiro.
- AGU vai ao Supremo contra lei que reduz penas de Bolsonaro e golpistas do 8 de janeiro
- MP pede que Bolsonaro e militares golpistas sejam expulsos das Forças Armadas
- Militares fizeram terraplenagem em acampamento golpista
Na obra, publicada pela Autêntica Editora o tenente-brigadeiro traz relatos inéditos sobre a crise institucional vivenciada nas Forças Armadas entre 2021 e a transição para o atual governo. O militar detalha como reuniões de “análise de conjuntura” no Ministério da Defesa ganharam contornos políticos e inflamaram o clima entre a cúpula militar durante a eleição de 2022. Baptista Junior reafirma ter sofrido pressões para apoiar um golpe e destaca sua postura em defesa da legalidade democrática.
Entre os episódios narrados está o afastamento do general Laerte Santos, então chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e contrário ao golpe das reuniões do Ministério da Defesa, comandado pelo general Paulo Sérgio Nogueira.
A publicação chega em plena campanha eleitoral, e também no momento em que o Superior Tribunal Militar está julgando a perda de posto e patente dos militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal da tentativa de golpe de Estado. Cabe à Justiça Militar (STM) decidir se os oficiais condenados a pena superior a dois anos de prisão são “indignos do oficialato” e devem perder a patente e serem expulsos das Forças Armadas.
O processo envolve o próprio Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, e quatro oficiais-generais: os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante de esquadra Almir Garnier.
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