A Universidade de São Paulo confirmou que vai conceder o título de Doutor Honoris Causa, de forma póstuma, ao jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 durante o regime militar. A decisão foi formalizada pelo reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado e comunicada à família do homenageado nesta semana.
A honraria já havia sido aprovada pelo Conselho Universitário da instituição em fevereiro, mas a confirmação oficial ocorreu com o envio de um ofício ao filho do jornalista, Ivo Herzog, datado de 7 de abril. Até o momento, a universidade não definiu quando será realizada a cerimônia de entrega do título.
A iniciativa é tratada internamente como um reconhecimento institucional à trajetória de Herzog e ao seu vínculo com a universidade. Ele integrou o Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), onde atuou como professor.
A homenagem também reforça o papel do jornalista na defesa da liberdade de expressão e dos direitos civis em um período marcado por censura e repressão.
Herzog foi preso e morto nas dependências do DOI-Codi, órgão de repressão da ditadura, em São Paulo. À época, a versão oficial apontou suicídio, mas investigações posteriores comprovaram que ele foi vítima de tortura, desmontando a narrativa divulgada pelo regime.
Nascido em 1937, na cidade de Osijek, na antiga Iugoslávia, atual Croácia, Herzog se naturalizou brasileiro e iniciou a carreira no jornalismo no fim dos anos 1950. Ao longo da trajetória, passou por veículos como O Estado de S. Paulo, a revista Visão e a BBC, em Londres. Em 1975, ocupava o cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura, além de atuar como professor em instituições de ensino superior.
A concessão do título póstumo é vista como um gesto simbólico de reparação histórica e de valorização da memória de um dos nomes mais marcantes do jornalismo brasileiro.
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