Número de candidatos despenca nas eleições de 2026
As eleições gerais de 2026 terão 20.524 candidatos, uma redução de aproximadamente 30% na comparação com o pleito de quatro anos atrás. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados até a tarde da segunda-feira (17), mostram cerca de 8,7 mil registros a menos. As informações são da Folha de S. Paulo.
É a maior retração desde 1994, início da série histórica disponível, e ocorre após mudanças nas regras eleitorais que reduziram o espaço de partidos pequenos e estimularam fusões e federações.
O recuo está concentrado principalmente nas disputas proporcionais. Para a Câmara dos Deputados, o número de postulantes passou de 10.630, em 2022, para 7.632 neste ano. Nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a quantidade caiu de 17.347 para 11.521. Com isso, a concorrência por cadeira também diminuiu.
Segundo o cientista político José Niemeyer, professor do Ibmec, esse movimento já era esperado como consequência das reformas eleitorais aprovadas na década passada. Entre as medidas adotadas estão regras mais rígidas para o acesso de legendas aos recursos partidários, além de mecanismos que favoreceram a reorganização das siglas.
Para Niemeyer, a concentração pode facilitar articulações no Congresso, mas também cria obstáculos para candidatos estreantes e pode prejudicar a renovação política.
Neste ano, 30 partidos participam das eleições, dois a menos que em 2022. Fusões e federações ajudam a explicar parte da redução. União Brasil e PP, por exemplo, passaram a integrar uma federação e, juntos, apresentaram cerca de 1,3 mil candidatos a menos.
O PRTB registrou a maior retração proporcional entre as legendas comparáveis: 99%. Já o Novo ampliou sua lista em 817 nomes.
A queda ocorreu em todos os estados. Alagoas lidera a redução, com 44,5%. Alex Flávio Santos da Silva, coordenador de registros partidários do TRE-AL, relaciona o resultado principalmente às decisões internas tomadas pelas legendas.
O presidente do Agir, Daniel Tourinho, também atribui parte do movimento às dificuldades enfrentadas por novos nomes para competir com políticos que já exercem mandato.
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