Policiais são presos por liberar cargas em troca de propina em SP
Três policiais civis foram presos na sexta-feira (28), na Grande São Paulo, durante uma operação contra um suposto esquema de cobrança de propina para liberar celulares e outros eletrônicos interceptados por agentes públicos. A Operação Merx, conduzida pelo Gaeco com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Dope, investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A apuração indica que integrantes do grupo retinham carregamentos e deixavam de registrar parte dos produtos nas apreensões oficiais. Para devolver toda a carga ou uma parcela dela, os suspeitos exigiriam pagamentos que poderiam alcançar 70% do valor das mercadorias.
Desde 2024, ao menos quatro episódios atribuídos ao esquema teriam movimentado cerca de R$ 2,35 milhões em propina. A ofensiva desta sexta cumpriu buscas nas delegacias de Santana de Parnaíba e Embu das Artes, além do 2º Distrito Policial de Cotia.
Foram detidos os policiais José Adriano Pereira da Silva Nishi, Bruno Moreno dos Santos e Marcos Vinicius, além do advogado Sidiclei Almeida e do empresário Jonathan Vieira. A Justiça ordenou sete prisões preventivas, mas um quarto agente e Thiago Magnabosco, apontado como foragido no Paraguai, ainda não haviam sido encontrados.
De acordo com os investigadores, Bruno Moreno teria participado de uma abordagem a uma carga de celulares em junho de 2024, quando somente parte dos aparelhos foi formalmente recolhida. José Adriano seria envolvido nas tratativas para a devolução irregular, enquanto Sidiclei teria atuado na cobrança e na organização dos repasses, com Jonathan como intermediário no Paraná.
Outro policial civil foi afastado do cargo, perdeu o acesso aos sistemas da corporação e ficou proibido de procurar investigados e testemunhas. No total, a operação reuniu 18 mandados de busca em São Paulo, Paraná e Goiás, além da quebra de sigilos e do bloqueio judicial de até R$ 4 milhões em patrimônio.
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