Produtora do filme de Bolsonaro já era investigada antes de fechar contratos milionários
A produtora cultural Karina Gama, ligada à cinebiografia de Jair Bolsonaro intitulada “Dark Horse”, volta ao centro de uma série de questionamentos após a divulgação de documentos que apontam suspeitas antigas envolvendo contratos financiados com recursos públicos.
Relatórios elaborados pela Controladoria-Geral da União (CGU), divulgados em reportagem do Intercept, indicam que organizações comandadas por ela já eram alvo de auditorias e recomendações de restrição para novas contratações antes mesmo de ampliarem sua atuação junto a governos e parlamentares aliados da direita.
As informações revelam que o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, foi investigado por possíveis irregularidades em projetos patrocinados pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). Entre os apontamentos feitos pelos auditores estão indícios de sobrepreço, falhas na prestação de contas e relações empresariais consideradas incompatíveis com os critérios de transparência exigidos em contratos dessa natureza.
Um dos aspectos destacados pelas auditorias foi a contratação de empresas que possuíam vínculos de endereço com a própria entidade beneficiada pelos recursos. Segundo os documentos, organizações envolvidas em serviços contratados compartilhavam localização semelhante, levantando dúvidas sobre a independência das operações e dos processos de seleção.
Apesar dos alertas registrados em relatórios públicos desde os anos anteriores ao governo Bolsonaro, os negócios vinculados a Karina cresceram significativamente nos últimos anos. Contratos de grande porte foram firmados com administrações públicas, incluindo acordos relacionados à implementação de infraestrutura digital na cidade de São Paulo, atualmente alvo de investigações sobre a efetiva entrega dos serviços contratados.
O caso ganhou novos desdobramentos após a divulgação de informações que associam o financiamento do filme “Dark Horse” ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Com isso, as suspeitas envolvendo a produtora passaram a integrar apurações conduzidas por diferentes órgãos, entre eles a Polícia Federal, a Polícia Civil paulista e o Supremo Tribunal Federal.
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