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R$ 21,6 milhões: partidos bancam candidatos sob suspeita de ligação com o crime

Nove partidos destinaram ao menos R$ 21,6 milhões de recursos públicos a 20 candidatos cujas campanhas foram questionadas pelo Ministério Público Eleitoral ou por tribunais regionais por suspeitas de ligação com grupos criminosos, segundo levantamento da Folha de S. Paulo com dados registrados até 22 de setembro. Os repasses ocorreram durante a campanha de 2026 e incluem recursos que ainda podem ser usados enquanto a Justiça Eleitoral examina contestações e recursos sobre os registros.

As suspeitas citadas nas ações envolvem facções, milícias, jogo do bicho e esquemas de fraude contra os cofres públicos. O levantamento reúne situações jurídicas diferentes: parte dos candidatos teve o registro autorizado pelos tribunais regionais, enquanto outros recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral após uma decisão contrária.

O União Brasil aparece com cinco candidatos na lista, seguido por MDB e PRD, com três cada. PP, PSDB e Podemos têm dois nomes por legenda; Avante, PT e Republicanos aparecem com um cada.

O maior repasse individual foi para Cícero Lucena, candidato do MDB ao governo da Paraíba, que recebeu R$ 5 milhões do fundo eleitoral. Seu registro foi autorizado pelo tribunal regional, apesar da contestação da Procuradoria, que recorreu; a defesa nega qualquer vínculo do candidato com facções criminosas.

No Rio de Janeiro, Marcos Dias, do Podemos, recebeu cerca de R$ 4 milhões, e Antonio Rueda, do União Brasil, aproximadamente R$ 3 milhões. Ambos tiveram as candidaturas autorizadas pelo tribunal regional apesar dos questionamentos apresentados, e Rueda rejeita as alegações de relação com milícias.

Também consta da lista Ney Santos, do Republicanos, que recebeu R$ 2,4 milhões e teve o registro aprovado em São Paulo; sua defesa nega as acusações. Já Clébio Jacaré, do União Brasil, recebeu R$ 1 milhão mesmo após o indeferimento de sua candidatura no Rio, decisão que sua defesa tenta reverter no tribunal superior.

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