Vídeos virais simulando ataques contra mulheres entram na mira da PF
A Polícia Federal iniciou uma investigação para apurar a circulação, nas redes sociais, de conteúdos associados à trend chamada “caso ela diga não”. A apuração é conduzida pela área responsável por crimes cibernéticos da corporação, que também determinou a remoção de perfis ligados à divulgação desses vídeos.
O objetivo da ofensiva é identificar autores das publicações e conter a propagação de materiais que estimulam comportamentos violentos contra mulheres.
A mobilização das autoridades ocorre após a circulação de gravações em que jovens encenam reações violentas diante da hipótese de rejeição em pedidos de namoro ou casamento. Nos vídeos, criadores simulam agressões físicas, como socos, golpes e ataques com faca, apresentados como uma espécie de “treinamento” para lidar com uma negativa.
O caso ganhou repercussão nacional após episódios de violência real que dialogam com o tipo de comportamento retratado nas postagens. No Rio de Janeiro, uma mulher que recusou um homem foi atacada com diversas facadas e precisou passar semanas internada para se recuperar.
Além da investigação policial, o tema chegou ao Congresso Nacional. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve analisar, nesta terça-feira (10), um requerimento solicitando que a Procuradoria-Geral da República avalie possíveis responsabilidades criminais relacionadas à publicação e disseminação desses conteúdos.
A iniciativa pede que o Ministério Público examine se as postagens podem ser enquadradas como incentivo à violência.
Levantamento recente realizado pelo portal g1 identificou ao menos vinte vídeos com esse tipo de encenação publicados entre 2023 e 2025. Os conteúdos, divulgados por perfis com centenas a centenas de milhares de seguidores, somam mais de 175 mil interações.
A discussão ocorre em meio ao aumento dos casos de violência contra mulheres no país. Dados do Ministério da Justiça indicam que o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da série histórica: 1.470 vítimas ao longo do ano.
Procurada, a plataforma TikTok informou que os vídeos violam suas diretrizes e afirmou que removeu os conteúdos assim que foram identificados.
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