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BFC Hits: “Veneno da Lata”, de Fernanda Abreu

Fernanda Abreu
(Foto: Reprodução)

“Veneno da Lata”, um dos grandes marcos da trajetória de Fernanda Abreu, nasceu de uma combinação rara entre crônica urbana, memória afetiva e experimentação sonora. Lançada como principal single de “Da Lata”, o terceiro álbum da artista, a faixa resgata um episódio curioso da história do Rio: as latas de maconha que surgiram misteriosamente nas praias cariocas em 1987. A canção, entretanto, transforma esse acontecimento em algo muito maior do que a anedota original.

Em vez de focar no fato em si, Fernanda o utiliza como metáfora para falar da potência criativa que brota da cidade, um “veneno” musical capaz de se espalhar com força, ritmo e humor. A canção, composta por Fernanda em parceria com Herbert Vianna, Marcos Suzano, El Chacal e Will Mowat (membro do grupo britânico Soul II Soul), reúne batidas que dialogam com funk, samba, pop e R&B, reafirmando a assinatura da artista e sua leitura moderna da cultura carioca.

A letra percorre o Rio como quem atravessa a cidade num dia comum: pontos conhecidos, deslocamentos apressados, o vai e vem que faz parte da rotina de quem vive ali. Mas a narrativa não se limita ao registro geográfico. Ela transforma cada espaço citado em cenário para o improviso e para a invenção, algo muito presente no espírito carioca.

A ideia de que qualquer objeto, inclusive uma simples lata, pode virar instrumento ecoa a tradição de quem aprendeu a extrair música do cotidiano, mesmo diante de dificuldades sociais e de um ambiente urbano nem sempre acolhedor. Nessa mistura de paisagem, ritmo e identidade, Fernanda projeta uma visão de resistência alegre, onde a criatividade funciona como antídoto para os dias duros.

Trinta anos após o lançamento de “Da Lata”, a música permanece como um retrato vivo dessa força cultural. “Veneno da Lata” não apenas consolidou Fernanda Abreu como referência do pop brasileiro, mas também ajudou a redefinir o diálogo entre o funk carioca e a música mainstream dos anos 1990. O resultado é um clássico que atravessa gerações, ainda pulsando com a mesma energia que inspirou sua criação.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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