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Carros de luxo somem antes de operação contra esquema do PCC

(Foto: reprodução)

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo revelou um esvaziamento suspeito de patrimônio às vésperas de uma grande ação contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Dezenas de veículos registrados em nome de empresas e de um empresário investigado desapareceram dos locais onde deveriam ser apreendidos, mesmo após decisão judicial que havia determinado o bloqueio de 257 automóveis. Entre os bens que não foram localizados estão carros de alto padrão, com valor estimado acima de R$ 1,2 milhão.

A ofensiva, batizada de Operação Falso Mercúrio, ocorreu no início de dezembro e tinha como foco lojas do grupo Key Car e imóveis associados ao empresário Alessandro Rogério Momi Braga, na Grande São Paulo. Ao chegar aos endereços, porém, os policiais encontraram estabelecimentos praticamente vazios. Dos 67 veículos vinculados diretamente a Braga e a quatro empresas do grupo, apenas um automóvel popular foi localizado.

O sumiço coincidiu com a saída antecipada de investigados de seus endereços. Relatórios indicam que alguns deles deixaram suas casas dias antes da operação. Dois suspeitos centrais se apresentaram espontaneamente ao Departamento Estadual de Investigações Criminais após a deflagração da ação, enquanto outros permanecem foragidos.

As apurações apontam que o grupo atuava como intermediário financeiro para organizações criminosas, recebendo dinheiro em espécie de atividades ilegais, como o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, e reinserindo os valores no sistema por meio de empresas de fachada e transferências fracionadas.

Veículos de luxo também teriam sido usados como instrumento para ocultar patrimônio, sendo cedidos mediante pagamento, sem mudança formal de propriedade.

A investigação avançou com novos alvos, incluindo Alexandre Ferreira de Moraes, apontado como liderança regional do Primeiro Comando da Capital. A análise de celulares apreendidos revelou documentos internos da facção, indicando uma estrutura rígida de controle e disciplina.

A Polícia Civil avalia haver elementos suficientes para responsabilizar nove pessoas até o momento, enquanto o inquérito segue em curso para identificar beneficiários finais e a real dimensão financeira do esquema.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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