A Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou processos administrativos disciplinares contra dois ex-integrantes da cúpula do Banco Central, suspeitos de favorecer interesses do Banco Master dentro do órgão regulador. As medidas atingem o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santana.
As portarias que formalizam a abertura dos procedimentos foram publicadas no Diário Oficial da União na segunda-feira (23). Apesar de os nomes não constarem nos documentos por conta do sigilo, fontes com acesso às investigações confirmam que ambos são os alvos. O prazo inicial para conclusão das apurações é de 60 dias.
De acordo com pessoas que acompanham o caso, os elementos reunidos em sindicâncias internas do próprio Banco Central indicam possível punição máxima, com desligamento definitivo do serviço público. Paralelamente, a Polícia Federal também investiga a atuação dos ex-servidores, que podem responder criminalmente.
O caso está ligado ao colapso do Banco Master, liquidado no ano passado, e ao suposto esquema conduzido pelo ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Há a possibilidade de avanço das investigações para apurar eventual corrupção ativa envolvendo o ex-banqueiro.
Um dos focos da apuração recai sobre a conduta de Paulo Sérgio durante sua passagem pela diretoria de Fiscalização, entre 2017 e 2023. Ele é apontado como responsável por repassar informações distorcidas à alta cúpula do Banco Central, o que teria contribuído para reduzir a percepção de risco sobre as operações do Master e enfraquecer questionamentos internos e de concorrentes.
Relatos indicam ainda que, ao analisar carteiras de crédito vinculadas ao banco, o ex-diretor apresentou conclusões favoráveis à regularidade das operações, mesmo diante de suspeitas levantadas no período. A defesa afirma aguardar abertura de prazo para manifestação. Belline Santana não respondeu aos contatos até a publicação.
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